Príncipe Harry processa jornais britânicos Sun e Daily Mirror por “hackearem” o seu telefone

Meghan Markle tinha já anunciado que vai processar o grupo editorial responsável pelo The Mail on Sunday, depois de terem sido publicados trechos de uma carta dirigida ao seu pai.

Rupert Murdoch
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O príncipe Harry na sua visita a África do Sul Siphiwe Sibeko/Reuters

O príncipe Harry avançou com um processo judicial contra os proprietários dos jornais britânicos The Sun e The Daily Mirror por terem acedido ilegalmente ao seu telemóvel. Este é o mais recente episódio de uma “guerra” que tem vindo a ser travada pelos duques de Sussex​ contra a imprensa tablóide britânica.

A informação foi confirmada pelo Palácio de Buckingham, segundo o diário britânico Guardian. O mesmo jornal avança que foram apresentadas no Supremo Tribunal de Londres, no passado dia 27 de Setembro, denúncias contra os dois jornais por terem “hackeado” um telefone utilizado pelo príncipe Harry na tentativa de acederem ilegalmente às mensagens do seu correio de voz.

O grupo News Group Newspapers (da News International), que publica o The Sun (assim como o News of the World, um jornal britânico que também “hackeou”​ mensagens de voz do príncipe William em 2006 e que acabou por encerrar em 2011), confirmou ao Guardian que foi apresentada uma queixa.

Os documentos apresentados em tribunal dão conta de duas acusações separadas, em nome do príncipe Harry, contra o News Group Newspapers, de Rupert Murdoch, e o grupo Reach plc, que publica o Daily Mirror.

Embora não se conheçam ainda detalhes sobre as denúncias, as mesmas terão sido apresentadas pela Clintons, um escritório de advogados em Londres que terá já ganho vários casos semelhantes (relacionados com escutadas telefónicas) em tribunal no passado.

A notícia, que foi primeiro avançada pelo site Byline Investigates, surge dias depois de Meghan Markle ter também anunciado que vai processar o grupo editorial responsável pelo britânico The Mail on Sunday, depois de terem sido publicados trechos de uma carta redigida por si e dirigida ao seu pai. A duquesa de Sussex acusa a DMG Media (antiga Associated Newspapers) de uso indevido de informações privadas, violação de direitos de autor e violação da Lei de Protecção de Dados de 2018.

A decisão de Meghan, que diz ser vítima de bullying dos tablóides britânicos, foi imediatamente defendida pelo príncipe Harry que, em comunicado, afirmou que “chega a um ponto em que a única coisa a fazer é enfrentar esse comportamento, porque destrói as pessoas e destrói vidas”. Na mesma nota, Harry garante que a “campanha anti-Meghan” começou há mais de um ano e assume que o seu “maior receio é que a história se repita”, numa alusão ao que aconteceu com a princesa Diana. “Eu vi o que acontece quando alguém que eu amo é catalogado ao ponto de deixar de ser tratado ou visto como uma pessoa real. Perdi a minha mãe e agora vejo a minha mulher a ser vítima das mesmas forças poderosas.”

Este episódio foi encarado como uma mudança significativa na abordagem do casal às questões de privacidade. Na altura, os duques informaram que o pagamento do processo seria feito pelos próprios e que quaisquer valores resultantes de um veredicto virão a ser doados a uma instituição antibullying.