Rui Moreira manda Comité do Património da UNESCO falar com a DGPC sobre São Bento

Autarca, que “gostava muito de ter uma obra de Souto Moura no Centro histórico do Porto”, desvalorizou críticas ao projecto do mercado da Time Out para a estação ferroviária.

Estação Ferroviária de São Bento
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Antevisão do projecto da Time Out para a Estação de São Bento DR

O presidente da Câmara do Porto considera que o Município não tem de dar explicações ou ceder às pretensões do Centro para o Património da Humanidade da UNESCO, que acompanha as críticas do seu organismo consultivo em Portugal, o Icomos, a alguns aspectos do projecto do mercado da Time Out na ala sul da estação de São Bento. Rui Moreira argumenta que em relação ao centro histórico, património da humanidade, o município só tem de se articular com Direcção Geral do Património Cultural (DGPC), e insistiu que não vai contrariar o parecer positivo desta entidade, a menos que o projecto não cumpra alguma norma urbanística.

Moreira explicou na segunda-feira, na Assembleia Municipal do Porto, que o projecto ainda está a ser avaliado pelo pelouro do urbanismo da Câmara do Porto. O autarca independente, que respondia a uma interpelação do Bloco de Esquerda sobre o tema, insistiu que não lhe “compete” exprimir qualquer posição de gosto sobre o trabalho de Souto de Moura, que desenhou, para a lateral da estação, uma torre panorâmica de 21 metros, inspirada nos depósitos de água de antigas estações, mas assumiu que, do ponto de vista pessoal, “gostava que a cidade pudesse contar com uma obra” de um dos dois arquitectos portugueses premiados com um Pritzker.

Souto de Moura, que já foi premiado também pela autoria de todas as estações subterrâneas do Metro do Porto – entre elas a de São Bento, mesmo em frente à estação de comboios - tem várias obras na cidade, privadas e públicas, sendo dele, por exemplo, a Casa das Artes, entre outras. Não tem é nenhuma obra na no Centro histórico, como o próprio Rui Moreira referiu, corrigindo-se, numa segunda intervenção em volta deste tema em que acusou o Icomos, órgão consultivo da UNESCO, de ter uma visão “arqueológica” do património construído. Por eles “Eiffel não teria construído a ponte D. Luís”, atirou.

O Icomos foi a única entidade a votar contra o projecto no Conselho Nacional de Cultura, cujo parecer amplamente favorável balizou a aprovação dada pela DGPC ao projecto da Time Out. Perante este dado, Moreira não só desvalorizou o papel do IComos – “um grupo de amigos”, atirou – como desafiou a própria UNESCO a pedir satisfações à DGPC, e não ao município, por aquela entidade que tutela o património ter dado o aval à intervenção proposta para a estação projectada no início do século XX por Marques da Silva. Esses contactos entre a UNESCO e a DGPC já aconteceram, mas não alteraram a posição da direcção-geral sobre a pretensão daquela empresa privada.