Reportagem

Lixo, droga e sexo ao vivo marcam as noites do Martim Moniz

Os problemas não são novos, mas parecem ter-se agudizado desde que as obras no centro da praça pararam. Moradores descrevem situações de insalubridade e insegurança. Câmara de Lisboa garante retirada dos tapumes ainda durante este mês.

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Os tapumes da obra inacabada foram vandalizados e agora é fácil aceder à zona vedada Pedro Fazeres
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O centro da praça está vedado desde Janeiro, data em que começaram os trabalhos com vista à criação d eum mercado de contentores, entretanto cancelado Pedro Fazeres
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A câmara de Lisboa garante que ainda este mês vai retirar os tapumes, reabrindo o espaço Pedro Fazeres

As noites têm sido agitadas no Martim Moniz. “Isto parece uma zona de guerra”, lamenta Daniel Miguinhas, um morador que da janela de casa tem vista de primeira fila para o que se passa diariamente nesta praça lisboeta. “Barulho até altas horas, bebedeiras e zaragatas, consumo de droga e prostituição”, descreve o residente.

Os problemas não são novos, mas parecem ter-se agudizado desde que as obras no centro da praça pararam e o espaço ficou votado ao abandono. Moradores e comerciantes descrevem situações de insalubridade e insegurança e lamentam que uma solução pareça ainda distante.

No fim de Julho, a câmara de Lisboa decidiu travar o projecto de mercado que estava previsto para o Martim Moniz e que tinha sido apresentado em Novembro passado. No centro da praça já tinham começado, em Janeiro, os trabalhos de infra-estruturas, que, no entanto, estavam parados muito antes de Fernando Medina ter anunciado o abandono do projecto.

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O contentor-modelo tem sido usado, segundo residentes, para dormir e para tráfico e consumo de droga Pedro Fazeres

Ficaram na praça os tapumes da obra inacabada e um contentor-modelo ali colocado pelo promotor do mercado, que tinha o propósito de ser uma antevisão do futuro recinto comercial. Alguns tapumes foram vandalizados e hoje é possível circular livremente pela área vedada. “Rebentaram as chapas aos pontapés e é uma correria constante. Uns para cima, outros para baixo”, relata Daniel Miguinhas, referindo-se às pessoas que usam aquele local para tráfico e consumo de droga. Mas mais. “Já vi lá sexo”, acrescenta. “O contentor tem sido usado para dormir, para passe de droga, injectam-se lá dentro.”

Em alguns fins de tarde das últimas semanas, o PÚBLICO constatou que a área vedada é facilmente acessível, bastante movimentada e usada para urinar, defecar e depositar lixo. Encontram-se seringas espalhadas, ratazanas e preservativos. Uma residente referiu ainda que, mais à noite, por ficar totalmente às escuras, o espaço é usado para prostituição.

“A informação que tenho é de que há ali tráfico e consumo de droga. Com os tapumes [os traficantes] escondem a droga lá dentro, passam a ter a vida mais facilitada”, afirma Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior. O autarca sublinha que “problemas de segurança já havia mesmo antes dos tapumes”, mas que a presença destes “terá certamente acentuado”.

A opção de não deixar avançar o mercado obrigou a câmara a rescindir o contrato de concessão que estava em vigor com a empresa Moonbrigade, ligada à imobiliária Stone Capital. “Estamos neste momento em conversas com a câmara”, disse uma fonte oficial dessa empresa. “Esperamos que seja tratado rapidamente.”

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Agentes da Polícia Municipal percorrem o espaço vedado Pedro Fazeres

Já a autarquia garante que “a retirada dos tapumes do Martim Moniz acontecerá quando estiveram reunidas as condições para a utilização daquele espaço, ainda durante o mês de Setembro.” O município justifica que “o concessionário tinha iniciado trabalhos de infra-estruturação que acabaram por ser interrompidos, tendo agora que ser repostas as condições iniciais à superfície”.

Concurso de ideias até fim do ano

“Se a decisão já está tomada, independentemente das negociações com o promotor, o melhor mesmo é tirar de lá os tapumes. Aliás eles nem deviam ter sido lá colocados”, opina Susana Simplício, porta-voz do movimento Jardim Martim Moniz, que espera agora pelo lançamento do concurso de ideias prometido por Fernando Medina em Julho.

Também Miguel Coelho diz estar “particularmente expectante e disponível para ser uma parte activa no debate público” e espera que ele seja lançado “o mais rápido possível”, “ainda este ano”. É isso que afiança a câmara municipal: “O concurso de ideias deverá ser lançado até ao final do ano”.

Ainda desconhecido é o projecto que a autarquia encomendou, há mais de um ano, ao arquitecto José Adrião, para “requalificação dos espaços exteriores da Praça do Martim Moniz”. O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, disse ao PÚBLICO em Novembro que esse trabalho “vai incidir exclusivamente no lado das Escadinhas da Saúde, na envolvente da capela, para aumentar a área pedonal e organizar as paragens do eléctrico, para dar mais conforto às pessoas que utilizam aquela zona”. Agora, o município diz que esse projecto “deverá ser articulado com o concurso de ideias”.