Martim Moniz recebe contentor-modelo para "desmistificar" projecto

Estaleiro da obra estará aberto ao público a partir de segunda-feira para que a população possa visitar as estruturas que deverão povoar a praça. Objectivo é "desmistificar ideia de contentor".

O contentor estará na praça para que população possa ver o que é pretendido para o local
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O contentor estará na praça para que população possa ver o que é pretendido para o local DR

Na praça do Martim Moniz, em Lisboa, as obras previstas para transformar o local num mercado com contentores estão paradas. Para lá dos tapumes brancos que impedem a vista para o interior, percepciona-se, entre as fissuras das placas, a presença de um contentor verde-tropa envidraçado e com madeira encastrada nas pontas. A partir de segunda-feira, o estaleiro estará aberto para que a população possa visitar o módulo lá colocado e “desmistificar a ideia de contentores”, disse Geoffroy Moreno, um dos sócios da Moonbrigade, que tem a concessão do espaço, num encontro marcado com jornalistas na praça.

Responsáveis do projecto também estarão na praça para esclarecer as dúvidas da população, num horário que será definido em breve. 

O projecto prevê a instalação de cerca de “30 a 50 unidades” semelhantes ao contentor que estará a partir da próxima semana disponível para visita, afirmou José Rebelo Pinto, um dos sócios da empresa. Ali, na praça do Martim Moniz, a preocupação agora é mostrar aos restantes lisboetas que o projecto será benéfico para a zona. José Rebelo Pinto, morador na zona há sete anos, de uma coisa tem a certeza, “o projecto é acarinhado pela população” residente.

Contudo, em Novembro de 2018, numa sessão pública realizada no Hotel Mundial, todas as vozes presentes ouvidas durante a discussão mostraram-se contra o avanço do projecto.

Em resposta, os dinamizadores do projecto para a praça do Martim Moniz recolheram cerca de 400 assinaturas numa declaração de apoio, para provar que "o projecto tem apoio da população".

O objectivo principal da construção do mercado modular na praça é a “integração da comunidade local”, reitera José Rebelo Pinto. Entre 15 a 20% dos novos comerciantes não vão pagar renda, “no sentido de promover a inclusão”, argumenta Moreno. E esses espaços serão atribuídos a moradores, algo que no entender de José Pinto “dará alma ao mercado”.

A realização de workshops com a comunidade local, a promoção de mesas redondas mensais, em que os moradores são convidados a participar e a debater temas, irão contribuir para que o futuro mercado funcione como uma plataforma “que dá voz e partilha ideias sobre vários mundos” garante um dos responsáveis do projecto que tem provocado um aceso debate na cidade.

O investimento previsto de três milhões de euros deverá criar entre 250 a 300 novos postos de trabalho na zona. A renda mensal da concessão será de 5700 euros, mas os custos com a segurança, limpeza e gestão de resíduos, três dos maiores desafios do empreendimento, deverão custar à Moonbrigade um montante que rondará os 45 mil euros mensais.

Enquanto a discussão política se faz noutras frentes, as obras estão paradas. O projecto só poderá avançar depois de ser debatido e votado em reunião de Câmara, algo que ainda não está agendado. O mais certo, dir-se-á, é que as obras da praça não estejam concluídas em Junho, como é anunciado num alvará afixado do lado exterior dos tapumes.

Em função do que resultar do debate político, serão equacionadas as “alterações que tenham viabilidade económica”. Independentemente disso, uma coisa poderá tomar-se como garantida: os contentores vão ficar. “É a melhor solução”, sublinham os responsáveis.