Debate Rui Rio vs. André Silva, coreografia de um desacordo

Candidatos do PSD e do PAN concordaram num único princípio: a declaração de emergência climática.

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Rui Rio LUSA/RODRIGO ANTUNES
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André Silva Goncalo Dias

André Silva conseguiu o impossível ou, pelo menos, o inesperado: pôs Rui Rio a falar sobre matilhas de cães, abates de animais e serviço nacional de saúde para cães e gatos. “Podemos ter uma visão parecida de respeito, mas temos de ter bom senso”, disse o líder do PSD, assumindo discordar, em muitos aspectos, do PAN, que considera fundamentalista. “Por oposição, o PSD não tem uma proposta sobre protecção dos animais”, reagiu André Silva.

O frente-a-frente entre os líderes do PSD e do PAN durou trinta minutos, foi emitido pela RTP e teve poucos momentos de concordância. Na coreografia do debate, houve ataques e defesas. Rui Rio atacou, André Silva defendeu-se e vice-versa. Vezes sem conta. "O idoso desprotegido tem um animal de companhia e isso é relevante na sua vida, mas prefiro pegar no dinheiro e dar garantias a esse idoso no âmbito do SNS”, assumiu o social-democrata, sobre uma medida polémica do PAN. André Silva aproveitou para responder que o PSD quer é pôr os idosos a trabalhar em part-time, depois de se reformarem. 

A disputa continuou. “O PSD não tem um projecto para descarbonizar a economia”, atirou o deputado do PAN. “Ainda o PAN não tinha nascido e já o PSD andava nisto”, ironizou o social-democrata. “O vosso programa é proclamatório, não ouvi ainda nenhuma medida concreta”, disse André Silva. “Não leu o programa do PSD e veio aqui dizer o que lhe apetece”, queixou-se Rio.

Os dois candidatos concordaram na questão de declarar a emergência climática, mas ficaram-se por aí. “É um acto político que nos vincula a um projecto para descarbonizar a economia”, justificou o líder do PSD, que disse estar de acordo com o Bloco quando o partido escreve em cartazes que não há planeta b. “Estou de acordo. Não há planeta b. O planeta que vamos deixar às gerações seguintes tem de ter condições de habitabilidade”, resumiu. Mas André Silva exige mais do que isso ao PSD. “Não explica como fazemos a transição energética. Temos de retirar automóveis dos centros da cidade, investir nos transportes públicos”, exemplifica. “O PSD não tem um projecto para a economia do século XXI.”

No fim, o moderador do debate pediu exemplos de mudanças implementadas na vida pessoal e profissional de ambos os candidatos face à emergência climática e Rui Rio foi o primeiro a responder. “Hoje vim do Porto para Lisboa, e à saída da minha rua parei, fui ao Multibanco e paguei 1282 euros para trocar a caldeira de minha casa por outra mais moderna que emite menos dióxido de carbono e monóxido de carbono”. Mostrando que ia preparado para a pergunta, Rio disse até que tinha consigo a transferência bancária e quis tirá-la do bolso para a mostrar. Já André Silva respondeu: “Hoje em dia ando de transportes públicos e não como carne nem qualquer produto de origem animal.”