Candidatos pró-governamentais perdem um terço dos votos em Moscovo

Depois de semanas de protestos, oposição apelou ao voto nos candidatos mais bem colocados para derrotar os nomes próximos do Rússia Unida.

Navalni apelou ao voto estratégico contra o Rússia Unida
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Navalni apelou ao voto estratégico contra o Rússia Unida YURI KOCHETKOV / EPA

Os candidatos próximos do Kremlin sofreram um forte revés nas eleições municipais em Moscovo neste domingo, que foram antecedidas por semanas de manifestações convocadas pela oposição.

Os resultados preliminares apontam para uma perda de um terço dos lugares na Assembleia Municipal (Duma) da capital que era detido por candidatos apoiados pelo Rússia Unida, o partido no poder. Apesar de manter a maioria, a bancada pró-governamental passou de 38 deputados para apenas 26 no hemiciclo de 45 lugares no total.

As eleições para a Duma de Moscovo, um órgão pouco influente, aconteceram depois de um Verão marcado por uma forte contestação nas ruas da capital russa. Os primeiros protestos, em meados de Julho, foram convocados depois de grande parte dos candidatos apresentados por movimentos da oposição ao Governo de Vladimir Putin terem sido excluídos pelas autoridades eleitorais.

As recusas foram baseadas em questões burocráticas, como irregularidades na recolha de assinaturas ou na falta de declaração de rendimentos no estrangeiro, mas os opositores contestam essas decisões e encaram-nas como subterfúgios para impedir a competição eleitoral.

A onda de protesto culminou com uma manifestação, a 10 de Agosto, que reuniu perto de 50 mil pessoas, um número pouco habitual em iniciativas de contestação ao Kremlin.

Os resultados indicam que a estratégia proposta por Alexei Navalni, um dos líderes da oposição, deu alguns frutos. Navalni tinha encorajado os eleitores críticos do Governo a votar nos candidatos com maior probabilidade de derrotar os nomes apoiados pelo Rússia Unida.

O Partido Comunista foi a formação que mais beneficiou da queda dos candidatos pró-governamentais, passando de cinco deputados para 13, segundo a Reuters. O Rússia Justa, que tal como os comunistas faz parte da chamada “oposição sistémica”, elegeu três deputados. Os quatro candidatos do Iabloko, na oposição liberal, também conseguiram ser eleitos.

Em termos práticos, pouco deverá alterar-se no governo local de Moscovo, uma vez que grande parte do poder permanece nas mãos do presidente da Câmara, Serguei Sobianin, e a maioria na Duma local continua favorável ao Kremlin.

Porém, o revés sofrido pelos candidatos próximos do Rússia Unida mostra que o descontentamento social com o Governo e com a classe política está a aprofundar-se e pode ser uma dor de cabeça para Putin, que se aproxima do limite constitucional de mandatos. O partido está com uma taxa de impopularidade historicamente alta e prova disso é que os seus candidatos se apresentaram às eleições, que decorreram noutras regiões do país, como independentes.

A própria popularidade de Putin, que está nos 67%, segundo o Centro Levada, está longe do registo estratosférico de outros tempos, em que superava os 80%.

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