Dois mortos por razões políticas na campanha eleitoral moçambicana

O Centro de Integridade Pública contabiliza 12 mortos desde o início da campanha, dez deles por causa de acidentes de viação. Polícia deteve 33 pessoas por vandalização de propaganda e violência.

A maioria das mortes na campanha aconteceu em acidentes de viação
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A maioria das mortes na campanha aconteceu em acidentes de viação Manuel Roberto

Duas pessoas morreram em consequência de agressões durante a campanha para as eleições de 15 de Outubro em Moçambique. De acordo com a informação divulgada pelo Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental que acompanha processos eleitorais no país desde 1992, as duas mortes aconteceram na província de Sofala, no centro do país.

Na noite de 1 de Setembro, a secretária da Frelimo na localidade de Mutua foi agredida até à morte por alegados membros da Renamo. A outra morte também aconteceu no mesmo distrito de Dondo, mas no posto administrativo de Mafambisse, onde um membro da Renamo, o principal partido da oposição, foi agredido por desconhecidos na sua residência, acabando por sucumbir aos ferimentos.

O boletim do CIP, publicado este domingo, traz o balanço da campanha eleitoral desde o dia 31 de Agosto até ao dia 6 de Setembro e dá conta da morte de mais dez pessoas relacionadas com a campanha eleitoral, todos elas devido a acidentes de viação.

Entre estas mortes, está a de um jovem atropelado em Pemba, capital da província nortenha de Cabo Delgado. Fazia parte de um grupo de seis pessoas que estava a colar cartazes da Frelimo, o partido no poder, quando foram atropelados.

O balanço da CIP também dá conta de 29 feridos, 18 deles em estado grave, e 33 pessoas detidas, a maioria delas (28) em Nampula, no Norte do país, acusadas de vandalizar propaganda eleitoral ou de participar em actos de violência. Um homem de 23 anos e outro de 26 foram presos na noite de sexta-feira em Maputo por destruírem cartazes da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique, o terceiro maior partido, liderado pelo presidente da Câmara da Beira, Daviz Simango.

Um dos mortos, afirma a Sala da Paz, que congrega várias organizações da sociedade civil moçambicana, era uma criança que foi atropelada no distrito de Moma, na província de Nampula. Exemplo utilizado pela Sala da Paz para acusar os principais partidos de estarem a utilizar crianças na sua campanha eleitoral, uma situação que viola a lei de Moçambique.

“É difícil controlar, uma vez que elas seguem as caravanas, mas também temos visto crianças nos carros, nas viaturas, fazendo parte das caravanas dos partidos”, referiu o representante da Sala da Paz, David Alfazema, citado pela Deutsche Welle.

Zacarias Nacute, porta-voz da polícia de Nampula, disse ao serviço público alemão de notícias que os agentes têm encontrado “menores a fazerem parte das caravanas”, isto apesar da sensibilização que foi feita junto das várias formações políticas de que essa prática é ilegal.

Caifadine Manasse, porta-voz da Frelimo, garante que “as crianças vão de livre vontade”, porque há música e festa, e que “não há nenhum partido político que precisa de ter crianças”, até porque “a campanha eleitoral é para pedir votos àqueles que votam e as crianças não votam”.