Crítica

Almodóvar 80 ½

Mais pessoal, mais vulnerável, mais exposto, mais Almodóvar: Dor e Glória é um filme de maturidade, uma memória e um adeus aos anos 80.

Penélope Cruz em <i>Dor e Glória</i> dá uma ressonância de Magnani
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Penélope Cruz em Dor e Glória dá uma ressonância de Magnani

Depois de Fellini Oito e Meio, eis Almodóvar Oitenta e Meio. É irresistível dizê-lo, porque Dor e Glória é Almodóvar escondido com Banderas de fora, como Oito e Meio era Fellini escondido com Mastroianni de fora — um filme sobre um cineasta em crise que procura uma saída. Claro: Fellini não poria o seu cineasta em crise a fumar chinesas com o actor do seu filme mais mítico depois de 30 anos sem se falarem. Mas Almodóvar não é Fellini. E Dor e Glória se calhar até é mais Amarcord (no modo como todo o filme é construído ao sabor das memórias que vão e vêm e são recriadas) com uns pozinhos de Mamma Roma (no modo como todo o filme vai sempre dar à mãe-coragem a que Penélope Cruz dá uma ressonância de Magnani).