Quase 2200 operacionais combateram 94 fogos em dia de alerta máximo

Risco máximo de incêndio motivou envio de mais de quatro milhões de SMS de alerta. Esta quinta-feira prevê-se um dia mais complicado que a véspera.

Autoridade Nacional de Proteção Civil
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daniel rocha

No primeiro dia de alerta máximo em 13 distritos do país, quase 2200 operacionais estiveram a combater 94 incêndios rurais em todo o país, apoiados por 574 viaturas e 27 meios aéreos. Já depois das 22h, a página da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) contabilizava apenas duas ocorrências significativas, uma das quais já em resolução.

Tratava-se de um fogo no concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, o incêndio que deu mais dores de cabeça durante a tarde desta quarta-feira. O início foi registado às 16h18, na localidade da Bemposta, e até ser dado como dominado, por volta das 21h, ameaçou várias aldeias. Chegou a ser combatido por mais de 380 pessoas e dez meios aéreos.

O comandante Paulo Santos, oficial de operações da ANEPC, dava conta ao início da noite que as chamas se encontravam numa zona de mato e pinhal, e que os problemas com que os combatentes se debateram estavam relacionados com o facto de haver dentro do perímetro do incêndio várias povoações e múltiplos barracões agrícolas. “Apesar disso não temos registo de nenhum dano em qualquer infra-estrutura, nem de nenhum ferido”, resumia Paulo Santos.

A única ocorrência significativa que se encontrava activa depois das 22h era um incêndio no Peso da Régua, distrito de Vila Real, que decorria de um reacendimento de um fogo que deflagrou na terça-feira de madrugada. As chamas reactivaram-se às 15h45 desta quarta-feira, estando pouco antes das 22h o incêndio a ser combatido por 68 operacionais apoiados por 20 viaturas. 

Paulo Santos notava que na quinta-feira as situações meteorológicas se agravavam com um aumento dos concelhos em risco de incêndio extremo. Às 22h ainda havia nove incêndios em curso e três em resolução. A maioria tinha deflagrado já esta noite.

O alerta vermelho em 13 distritos - Aveiro, Braga, Bragança, Castelo Branco, Santarém, Coimbra, Guarda, Portalegre, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Viseu e Leiria - motivou esta quarta-feira o envio de SMS para a população, uma medida ainda não utilizada este ano. De acordo com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, “até às 10h tinham sido recebidas mais de quatro milhões de SMS”.

Medidas excepcionais

A declaração deste alerta implicou a adopção de medidas excepcionais, como o aumento do grau de prontidão da GNR e da PSP, que permite a interrupção de férias e a suspensão de folgas; a proibição total da utilização de fogo-de-artifício mesmo que tenha sido previamente autorizada; a dispensa de trabalhadores que sejam bombeiros voluntários e a proibição de acesso e circulação em determinados espaços florestais.

Já esta quarta-feira foi feito um aditamento ao despacho que decretou o alerta e que aumentou o grau de prontidão das equipas de emergência médica e das equipas de resposta das operadoras de telecomunicações (redes fixas e móveis) e das empresas de energia (transporte e distribuição). 

Esta quarta-feira ao final da tarde, a GNR precisava, numa nota, que durante o alerta vermelho reforçara a vigilância e o patrulhamento terrestre em todo o continente, com uma média diária de mais 520 militares. A estes, contabilizava a GNR, acresciam aos cerca de 670 militares já previstos, por dia, no âmbito da defesa da floresta contra incêndios. Até final deste mês, o dispositivo de combate aos incêndios rurais encontra-se com o maior número de meios disponíveis do ano: 60 aeronaves, perto de 11.500 operacionais e quase 2500 veículos. 

Mesmo assim, a Protecção Civil pede a todos que respeitem as medidas de prevenção em vigor, alertando que é proibido fazer queimadas, utilizar fogareiros, fumar ou fazer lume na floresta.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera também anunciou que Agosto pode ter parecido mais frio do que o normal, mas as médias mostram o contrário. A temperatura média sentida no continente durante o mês passado foi “superior ao normal” apesar das disparidades entre a primeira e a segunda quinzena do mês​, indica o boletim meteorológico. A primeira quinzena do mês foi, de facto, mais fria do que a média, no entanto, a situação alterou-se na recta final do mês. Em Agosto, a temperatura média rondou os 22,53ºC, aumentando 0,38ºC face à média entre 1971-2000.