PS e PCP criticam ausência de convite para participarem no SummerCEmp

Em causa está um seminário que junta 40 jovens e 73 oradores durante quatro dias em Monsaraz.

Mário Centeno esteve no Summer CEmp
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Mário Centeno esteve no Summer CEmp LUSA/ANTÓNIO CARRAPATO

A delegação do PS no Parlamento Europeu lamentou nesta quinta-feira a ausência de convites a dirigentes e deputados socialistas para participar num seminário em Monsaraz organizado pela Representação em Portugal da Comissão Europeia, queixando-se de que tal atitude é recorrente. Também o PCP já se tinha queixado de não ter sido convidado.

Numa nota assinada pelo líder da delegação socialista portuguesa à assembleia europeia, Carlos Zorrinho, os eurodeputados do PS, saudando a realização do evento SummerCEmp, a decorrer em Monsaraz até sexta-feira, associam-se todavia “à estranheza pela ausência de qualquer convite para a participação na iniciativa de qualquer dirigente ou deputado do PS”, já expressa por carta pela secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.

Para a delegação do PS no Parlamento Europeu, tal atitude é “manifestamente empobrecedora da diversidade e da pluralidade do debate” e “este comportamento da Representação em Portugal da Comissão Europeia não é novo”.

Diversas vezes (a Representação da Comissão) tem promovido iniciativas sobre temas europeus em que os Eurodeputados do PS não são convidados por alegadamente, a sua perspectiva estar coberta pela presença de membros do Governo, numa clara e muito discutível sobreposição de papéis institucionais diferentes”, sustenta a delegação socialista.

Os eurodeputados do PS lembram que participam “com regularidade em sessões de debate e esclarecimento promovidas pelos diversos sectores da sociedade civil em Portugal” e apontam que “essa participação não se insere em espírito de campanha, mas em espírito de esclarecimento e partilha de pontos de vista divulgando os temas institucionais europeus junto dos cidadãos e ouvindo a sua opinião e as suas sugestões”.

“Era o que gostaríamos de, à semelhança do que foi permitido a membros de outras delegações no Parlamento Europeu, ter tido a oportunidade de fazer também em Monsaraz”, concluem.

Também o gabinete de imprensa do PCP havia criticado o facto de a iniciativa contar com um “painel de oradores representantes de todas as forças políticas com representação parlamentar quer na Assembleia da República, quer no Parlamento Europeu, à excepção do PCP e do PEV”. Essa exclusão era considerada “uma prática discriminatória particularmente grave”, destinada a, “ de forma intencional, omitir do debate político o PCP e quaisquer visões divergentes da actual integração capitalista europeia, configurada pela UE, limitando o espectro político representado e a pluralidade do debate político democrático”.​

Os comunistas chamavam a atenção, em nota enviada à imprensa, para o facto de a iniciativa ser financiada com dinheiro público, prevendo-se que tenha “grande projecção mediática, a pouco mais de um mês de um acto eleitoral de grande importância para o país, da qual a Representação da Comissão Europeia em Portugal optou por excluir e silenciar o PCP e outras forças que integram a CDU – Coligação Democrática Unitária”.