Ex-Presidente da Coreia do Sul vai ser julgada outra vez por receber subornos

Supremo Tribunal sul-coreano recusou recurso do vice-presidente da Samsung, apanhado no mesmo escândalo de corrupção que levou à destituição e condenação de Park Geun-hye.

,Destituição de Park Geun-hye
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Manifestação pedindo a destituição de Park Geun-hye em 2016 Kim Hong-Ji/REUTERS

O Supremo Tribunal da Coreia do Sul ordenou um novo julgamento da ex-Presidente Park Geun-hye, condenada já a 25 anos de prisão por corrupção, depois de ter sido afastada do cargo em 2016. Mas esta decisão não deverá favorecê-la: a decisão dos juízes pode levar a um aumento da sua pena.

Park vai agora ser levada a julgamento pelas acusações de suborno, decidiu o Supremo. A pena de prisão que está a cumprir diz respeito a casos de extorsão, abuso de poder e outras acusações, diz a Al-Jazira.

A ex-Presidente conservadora foi considerada culpada de conspirar com a sua confidente de longa data, Choi Soon-sil, para receber milhões de dólares em subornos e praticar extorsão de empresas, incluindo o grupo Samsung, enquanto ocupou o palácio presidencial, de 2013 a 2016. Park foi também condenada por fazer uma lista negra de artistas críticos do seu Governo, negando-lhes apoio estatal. Outro crime considerado provado foi ter passado documentos com informação considerada sensível a Choi Soon-sil. 

O escândalo em torno dos casos de corrupção da ex-Presidente e do seu processo de destituição provocou manifestações como não se viam desde a década de 1980, embora a corrupção presidencial seja costumeira na Coreia do Sul.

O Supremo Tribunal sul coreano recusou também o recurso apresentado pelo vice-presidente do grupo Samsung, Jay Y. Lee, apanhado também nesta vaga de luta contra a corrupção. Lee tinha sido condenado primeiro a cinco anos de prisão e, após um recurso, a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa, por ter procurado os favores da ex-Presidente, com subornos que incluíam a oferta de cavalos para a filha de Choi Soon-sil.

Quem for condenado a penas superiores a três anos na Coreia de Sul tem obrigatoriamente de cumprir tempo na prisão, o que põe em causa a capacidade de Jay Y. Lee, de 51 anos, de assumir a condução do conglomerado Samsung, hoje ainda nominalmente liderado pelo seu pai, Lee Kun-hee, de 77 anos.