Museu a Salazar é ofensa aos valores do Estado de Direito democrático, diz Jorge Miranda

Professor, constitucionalista e deputado da Constituinte pelo PSD recorda as eleições falsificadas, os professores expulsos da Faculdade, as torturas da PIDE, a censura e as cargas policiais contra os estudantes.

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Fotografia do ditador do espólio da torre do Tombo Rui Gaudencio

Um museu dedicado a Salazar seria uma ofensa à história e aos valores do Estado de direito Democrático, considera o professor universitário e constitucionalista Jorge Miranda.

Em carta ao director, publicada na edição da passada sexta-feira do PÚBLICO, o deputado da Assembleia Constituinte do PSD é claro. “Alguém se lembraria de fazer um museu dedicado a Estaline na Rússia, ou um museu dedicado a Hitler na Alemanha ou a Mussolini na Itália?, pergunta. 

“Salazar não foi comparável em desumanidade. Mas não podemos esquecer os milhares de mortos portugueses e africanos, entre 1961 e 1974, na Guiné, em Angola e em Moçambique. Nem as centenas de presos políticos no Aljube, em Caxias, em Peniche, no Tarrafal e em São Nicolau. Nem a PIDE [polícia política] e as suas torturas”, prossegue o professor da Faculdade de Direito de Lisboa.

Jorge Miranda, que subscreveu a petição contra a constituição de um museu sobre a figura do ditador na sua terra natal, Santa Comba Dão, no distrito de Viseu, recorda as sucessivas eleições falsificadas durante o Estado Novo e as demissões de grandes professores universitários que manifestaram a sua oposição ao regime salazarista.

E outros factos do quotidiano da ditadura. “Nem a polícia de choque contra os estudantes. Nem a censura à imprensa”, conclui, numa carta assinada em Moledo do Minho, localidade habitual do seu veraneio.