A Comporta poderá ser uma “nova Ibiza”? The Wall Street Journal analisa

São vários os projectos a erguer-se na faixa costeira entre Comporta e Melides e o influente jornal escreve: “Investidores olham para a costa da Comporta como a nova Ibiza”. Uma imagem que não agrada a todos.

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A região tem atraído membros da realeza, políticos e celebridades em férias. Tornou-se mediático o passeio a cavalo de Madonna pela praia. Têm aqui casa designers como Christian Louboutin ou Philippe Starck. No entanto, durante décadas, da Comporta a Melides, esta foi uma faixa costeira pouco desenvolvida em termos imobiliários e turísticos.

Agora, com a queda do Banco Espírito Santo e consequente venda da Herdade da Comporta, alguns investidores internacionais estão a tentar “capitalizar a crescente popularidade da região com novos resorts e projectos imobiliários”, diz The Wall Street Journal.

O consórcio que comprou os dois grandes projectos da Herdade da Comporta em 2018, constituído pela Amorim Luxury (de Paula Amorim) e pela Port Noir Investments (da Vanguard Properties), prepara-se para fechar os planos para dois resorts com hotéis, áreas residenciais e campos de golfe.

Em Maio, recorda o jornal norte-americano, a Vanguard lançou igualmente um projecto residencial à parte, na ordem dos 200 milhões de euros, que deverá erguer-se numa área com cerca de 3500 m2 próximo de Muda. A primeira de três fases inclui 50 terrenos à venda por 880 mil euros.

Depois, há o hotel que Louboutin está a construir em Melides, com 21 quartos, e que tem conclusão prevista para 2020. E os dois projectos residenciais que Miguel Carvalho está a desenvolver na região. O primeiro, Melides Art, abriu em 2017 e consiste numa comunidade residencial com villas à venda por dois milhões de euros, um pavilhão artístico e um programa de eventos e actividades culturais. O segundo projecto, 40 residências em Melides, deverá estar concluído no próximo ano.

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A quantidade de projectos imobiliários e hoteleiros de luxo que estão a surgir na região – sem esquecer a Quinta da Comporta, inaugurada este ano pelo arquitecto Miguel Câncio Martins – leva o Wall Street Journal a dar ao artigo o título “Investidores olham para a costa da Comporta como a nova Ibiza”.

A comparação pode impressionar, mas recentemente houve comparações para todos os gostos. Caso da revista Forbes, que evocou os Hamptons. E, segundo o Wall Street Journal, Miguel Carvalho espera atrair tantos visitantes ao longo do ano (e não apenas na época alta) quanto algumas povoações de Ibiza ou dos norte-americanos Hamptons.

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Mas, em declarações ao Financial Times, o empresário diz preferir que estas comparações terminem. “As pessoas estão sempre a tentar colar outra identidade à Comporta como se ela não tivesse o seu próprio carácter”, lamentava num artigo publicado pelo diário britânico no início de Agosto. “A Comporta tem uma identidade muito bem definida que devia ser celebrada.”