Motoristas marcam nova greve para Setembro

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) avança para uma greve às horas extraordinárias, fins-de-semana e feriados entre 7 e 22 de Setembro. E não apresenta serviços mínimos, “porque os horários de função normal de qualquer trabalhador” estão assegurados.

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Nelson Garrido

Sem grandes surpresas, o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, anunciou esta quarta-feira a intenção do sindicato de apresentar um pré-aviso de greve às horas extraordinárias, fins-de-semana e feriados, para começar no dia 7 de Setembro e terminar a dia 22. E não há nenhuma indicação para serviços mínimos. “Uma vez que estão assegurados os horários de função normal de qualquer trabalhador, não vemos necessidade de apresentar serviços mínimos”, explicou o presidente do sindicato. 

Em declarações aos jornalistas em Aveiras de Cima, junto à sede do SNMMP, Francisco São Bento recusou que haja qualquer intenção de fazer coincidir a luta destes motoristas com a campanha eleitoral que se aproxima. “Podem fazer as leituras que quiserem,mas nós só estamos a dar sequência a todo o trabalho que temos vindo a fazer. Não estamos a impor condições. Estamos a pedir que se cumpra a lei”, argumentou o presidente do sindicato. 

Este é já o quarto pré-aviso de greve que vai ser entregue por este sindicato. E o avanço para esta greve “cirúrgica” surge na sequência das decisões que foram aprovadas na moção que fechou o plenário realizado no passado domingo, na Junta de Freguesia de Aveiras de Cima. “Caso a Antram demonstre uma postura intransigente na reunião do próximo dia 20 de Agosto, [os associados reunidos em plenário deliberam] mandatar a direcção da SNMMP para continuar a desencadear todas as diligências consideradas necessárias na defesa dos motoristas de matérias perigosas, inclusive recorrendo à medida mais penalizante, a convocação de greve às horas extraordinárias, fins-de-semana e feriados até que os interesses dos motoristas sejam efectivamente assegurados”, lia-se na moção ali aprovada.

Em declarações na SIC Notícias na terça-feira à noite, no rescaldo de mais um dia que terminou sem acordo, Pardal Henriques explicou que o sindicato não ia cometer o mesmo erro de declarar greve por tempo indeterminado. “Desta vez vai ter data para começar e terminar”, avisou.

De acordo com Francisco São Bento, a decisão de avançar para esta greve cirúrgica também ajudará a reforçar aquilo que os motoristas afectos a este sindicato têm vindo a dizer: que estes trabalhadores fazem muitas horas de trabalho extraordinário e que os patrões não as remuneram, como impõe a lei. 

Questionado sobre se ainda há esperança de a greve não se vir a realizar, Francisco São Bento recordou que nas próximas semanas, e em qualquer altura, poderá avançar o processo de mediação. “Basta que a Antram nos dê garantias de que vai reconhecer estes dois princípios que nos parecem fundamentais”, argumentou.

Francisco São Bento refere-se à exigência de reforçar em 40% o subsídio de operações já negociado para 2020 — “são 50 euros, que servem de subsídio para o ADR [certificado obrigatório que habilita estes motoristas a conduzirem cargas perigosas]”. E também destaca a vontade de que todo o trabalho diário realizado acima das 9 horas e 30 minutos seja remunerado.