Universidade de Aveiro deixa de estar entre as 500 melhores do mundo

Num ranking dominado pelas universidades norte-americanas, há a registar a queda da Universidade aveirense, tal como tinha acontecido há um ano a Coimbra. A universidade Nova melhora a sua prestação e as outras três instituições nacionais mantêm as suas posições na lista.

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ADRIANO MIRANDA

A edição de 2019 do Ranking de Xangai, a mais antiga lista global de universidades, que foi publicada na manhã desta quinta-feira, tem poucas novidades, quer entre as mais bem classificadas a nível mundial como no que toca às seis representantes nacionais. A generalidade das instituições de ensino superior mantém a mesma posição face à lista divulgada no ano passado. Uma das excepções é a portuguesa Universidade de Aveiro que deu um “trambolhão” de quase 200 lugares, saindo do top-500.

Na nova edição do Ranking de Xangai, a Universidade de Aveiro aparece listada no intervalo que vai do 601.º ao 700.º lugar – a partir do centésimo lugar, as instituições são apresentadas por grandes intervalos, sem especificar a sua posição exacta na tabela. Há um ano, a mesma universidade surgia na posição 401-500. É uma queda acentuada e pouco comum, numa lista que se tem caracterizado, nos últimos anos, por uma relativa estabilidade do comportamento da maioria das instituições de ensino superior avaliadas.

O Ranking de Xangai é editado desde 2003 e foi precursor do fenómeno de publicação de rankings de universidades e cursos superiores, que está hoje generalizado por todo o mundo. A lista publicada na China é composta tradicionalmente por 500 universidades. No entanto, nos últimos anos, a Shanghai Ranking Consultancy, empresa responsável pela sua edição, passou a incluir mais um conjunto de instituições na publicação, o que justifica que a Universidade de Aveiro conste este ano da tabela. O ranking é composto em 2019 por 1000 instituição de ensino superior. Foram consideradas cerca de 1800. 

A Universidade de Aveiro está na segunda metade desta lista, tal como a Universidade de Coimbra que, tal como acontece este ano com a congénere da região Centro, também no ano passado tinha deixado de figurar entre as 500 melhores universidades do mundo para o Ranking de Xangai. 

PÚBLICO -
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Na altura, o então reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, tinha dito ao PÚBLICO que estava convencido que a instituição poderia regressar, já este ano, ao “top 500". Não foi, contudo, isso que aconteceu. A mais antiga universidade do país está, em 2019, no mesmo intervalo em que surgia listada há um ano, isto é entre os lugares 501 e 600.

O Ranking de Xangai leva em consideração seis indicadores como o número de artigos publicados nas revistas Nature e Science, o número de citações de artigos científicos de investigadores das universidades e o desempenho per-capita de cada universidade nos diferentes parâmetros.

São também considerados antigos alunos e professores contemplados com as medalhas Fields, respeitantes à investigação em Matemática, ou prémios Nobel. Entre as instituições nacionais, só a Universidade de Lisboa consegue oito pontos relativos a prémios relevantes atribuídos a membros do seu corpo académico. E a explicação para este resultado é o prémio Nobel da Medicina atribuído em 1949 a António Egas Moniz, que era professor da Universidade de Lisboa.

Essa é uma das justificações para o facto de a Universidade de Lisboa continuar a ser a melhor representante nacional, com alguma distância para as restantes. Aparece listada no intervalo 151-200. Também a dimensão das universidades conta para o seu desempenho no Ranking de Xangai e a Universidade de Lisboa passou a ser a melhor do país nesta lista, desde a fusão entre as universidades Técnica e Clássica, em 2014. Em 2016, subiu à posição que actualmente ocupa.

Entre as restantes representantes nacionais no Ranking de Xangai não houve muitas mexidas. A Universidade do Porto continua no intervalo 301-400. No escalão seguinte (401-500) estão as universidades do Minho e Nova de Lisboa, que sobe um patamar (há um ano estava no intervalo 501-600 e, por isso, fora das 500 melhores).

Norte-americanos dominam

Não é só em Portugal que o Ranking de Xangai de 2019 tem poucas mudanças. A nível global, a Universidade de Harvard, nos EUA, continua a liderar a lista, o que acontece pela 17ª vez – ou seja, desde o início da sua publicação, em 2003. As universidades de Stanford, também nos EUA, e Cambridge, no Reino Unido mantêm as suas posições: são 2.ª e 3.ª, respectivamente.

Nos restantes lugares do top-10 também não há alterações – como tem vindo a ser habitual nos últimos anos. As instituições dos EUA dominam as primeiras posições. Têm oito das dez melhores e 206 entre as 1000 listadas por este ranking de universidades. A China é segundo país mais representado com 154 instituições.

Entre as dez melhores instituições, há apenas duas britânicas a intrometerem-se entre as norte-americanas – a Universidade de Oxford, além da de Cambridge. A melhor representante da Europa continental continua a ser a ETH de Zurique, na Suíça (19.º a nível global).