Quase metade dos exames da 2.ª fase com médias mais baixas do que em 2018

Houve menos alunos internos a chumbar na 2.ª fase. Física e Química A foi um dos exames em que a média mais baixou.

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Goncalo Dias

Em dez das 22 disciplinas do ensino secundário sujeitas a exame nacional a média dos alunos internos na 2.ª fase baixou por comparação às obtidas em 2018 nesta mesma fase. Uma das descidas mais acentuadas registou-se no exame de Física e Química A com os alunos internos (que frequentam as aulas até ao final do ano lectivo) a baixar de 11,4 valores no ano passado para 9,6 numa escala que vai de 0 a 20 valores.

Este exame foi considerado pela Sociedade Portuguesa de Física como um dos mais difíceis de sempre e vários professores apontaram problemas na sua resolução, nomeadamente no que respeita ao resultado de uma experiência que, no enunciado da prova, estava errado. E também por dificuldades no uso das calculadoras gráficas, que este ano voltaram a ser exigidas para este exame.

O Instituto de Avaliação Educativa (Iave, responsável pela elaboração e classificação de exames) referiu que esta última dificuldade não se comprovou depois de ter contactado as escolas que reportaram o caso. Quanto ao erro no enunciado, que não invalidava a resolução do problema proposto, garantiu que todas as respostas que estivessem correctas cientificamente seriam tidas em conta, mesmo que não constassem dos critérios de classificação que servem de grelha aos professores que corrigem os exames.

O Iave garantiu o mesmo em relação ao exame de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), que no enunciado tinha uma pergunta para a qual não havia resposta possível, como confirmou a Sociedade Portuguesa de Matemática, ao contrário do que se encontrava expresso nos critérios de classificação. A média dos alunos internos neste exame, por comparação à 2.ª fase de 2018, subiu de 9,3 para 9,8 valores.

Os Lusíadas

E a média de Português do 12.º ano também subiu: de 10,2 para 10,3 valores. Apesar de os alunos terem sido confrontados com um excerto de Os Lusíadas que não consta do programa da disciplina. A professora que primeiro denunciou esta situação não esperava, aliás, que a hecatombe estivesse à vista.

Num e-mail enviado ao PÚBLICO, tendo por base a sua experiência de professora classificadora, dava como certo que os docentes que estavam a corrigir as provas iriam fazer tudo para não prejudicar os alunos.

Por norma, como sublinha o Ministério da Educação numa nota divulgada nesta segunda-feira, os resultados da 2.ª fase são inferiores aos da 1.ª fase. E isto deve-se ao facto de a segunda temporada dos exames ser sobretudo procurada por alunos que chumbaram na primeira. Mas há também quem vá lá para subir as notas obtidas na 1.ª fase.

Nas quatro disciplinas mais concorridas, a média nacional desceu por comparação aos resultados da 1.ª fase. Português passou de 11,8 para 10,3; Matemática A desceu de 11,5 para 11; Física e Química A de 10 para 9,6; e Biologia e Geologia recuou de 10,7 para 10,3.

Mas no geral, frisa o ministério, “os dados relativos às taxas de reprovação dos alunos internos, nesta 2.ª fase, mostram-nos que uma significativa percentagem dos alunos internos que não tinham conseguido obter aprovação na 1.ª fase dos exames nacionais conseguiu agora a respectiva aprovação”. E a Geografia (11,2), História da Cultura e das Artes (12,5), Filosofia (10.6) e Desenho A (14,4) os resultados foram superiores aos registados na 1.ª fase. 

Devido ao arredondamento das médias só são considerados negativos os resultados inferiores a 9,5 valores. História A foi uma das quatro disciplinas em que tal aconteceu na 2.ª fase, com uma média de 9,2 valores.