PS de Lisboa propõe revolução nos transportes e mais habitação pública

Programa eleitoral nacional do PS vai ser complementado com compromissos dos candidatos por cada distrito. Também há promessas eleitorais específicas para a área metropolitana lisboeta sobre saúde, educação, ambiente e descentralização.

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LM MIGUEL MANSO

Mais rápido e mais barato do que expandir a actual rede do Metropolitano é optar por criar corredores para o desenvolvimento do metro de superfície que abranja os concelhos de Loures, Oeiras, Odivelas e Amadora e funcione de forma complementar ao metro de Lisboa. Essa é uma das medidas de um pacote de 12 propostas pela Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, que funcionam como complemento ao programa eleitoral nacional dos socialistas. Para além de várias medidas na área da mobilidade, há também propostas sobre habitação, saúde, educação, abastecimento de água, descentralização, sociedade digital e até sobre a pegada ecológica das campanhas eleitorais.

Marcos Sá, coordenador do gabinete de estudos da FAUL, diz ao PÚBLICO que estas são propostas para compromissos eleitorais que os candidatos do distrito de Lisboa vão assumir e que foram definidas numa discussão que envolveu os presidentes das concelhias, a Juventude Socialista, diversas secções sectoriais, as Mulheres Socialistas, os actuais deputados e até independentes.

A questão da mobilidade é um dos maiores problemas na região, por isso os socialistas querem que a aposta da próxima legislatura seja no aprofundamento do sistema misto ferrovia/metro de superfície para a interligação das várias coroas urbanas, através de um plano integrado de transportes à escala metropolitana. Que pressupõe um “investimento forte” nas linhas da CP de Cascais e de Sintra, a expansão do Metro para outros municípios complementada com o metro de superfície, assim como o alargamento da actuação da Carris ao nível metropolitano. Isso seria conjugado com a criação de bolsas de estacionamento, em cada freguesia, em terrenos municipais ou estatais, e com a criação de uma “rede de transporte escolar de âmbito metropolitano” - que poderia ser usado também pelos idosos em percursos dentro das freguesias.

Outro ponto crítico é a habitação, pelo que os socialistas propõem a criação de uma base de dados a nível metropolitano tanto de pedidos de habitação como de oferta de todos os municípios. Para isso é também preciso “investir num parque habitacional público, a rendas acessíveis”, defende um documento da FAUL com as 12 propostas para a área metropolitana de Lisboa (AML), a que o PÚBLICO teve acesso. A que se soma a promessa do reforço do programa Porta 65 Jovem, tornando-o compatível com o Programa de Arrendamento Acessível. Ainda nesta área, os socialistas propõem a criação de residências universitárias nos vários municípios da AML.

Na educação, o PS-Lisboa propõe um “programa de investimento prioritário para serviços na área do pré-escolar, garantindo mais oferta nos municípios”. Na saúde, quer reforçar a rede de cuidados continuados e as valências de apoio à demência.

No ambiente propõem um “compromisso metropolitano” entre as autarquias e o Estado para tirar o amianto de todos os edifícios públicos nos próximos quatro anos, recorrendo ao apoio de fundos ambientais. E a construção de uma conduta de água de Lisboa a Almada que permita que a coroa metropolitana Norte tenha acesso a água vinda de Sul.

Numa altura em que a descentralização não está sequer a meio gás, os socialistas querem já preparar a eleição directa da Assembleia Metropolitana de 2021, “que possa constituir um executivo metropolitano, com competências e verbas reforçadas”. E já que de eleições se fala, acrescente-se outra proposta, a de passar a ter “campanhas eleitorais ecológicas”, sem brindes de plástico, com carros eléctricos e híbridos e plantando árvores na região para compensar a pegada ecológica - veremos se começam a implementar isso já em Setembro.