Mário procura histórias para minidocumentários na rua, nos cafés, em todo o lado

Há uma pergunta que salta em cada conversa, email, interacção nas redes sociais (troca de olhares?) com Mário Araújo. Ele pergunta sempre: "Conheces alguém com uma história interessante?" Do outro lado, questionam sempre o significado da palavra "interessante". E, quase sempre, ficam por ali. Mas, às vezes, as histórias que o bailarino profissional feito documentarista nos tempos livres procurava, "sem um critério específico", aparecem. “Quanto mais pessoas conheço, mais pessoas me recomendam.” Como Ryan Tomlin, um poeta que diz poesia na rua, Ellie Vo, uma bailarina com uma desfiguração facial ou Emmanuel, um homem que vive numa montanha do Gerês há mais de 15 anos

Mário criou o Epoch, um canal no YouTube, para mostrar histórias reais, contadas por pessoas anónimas, com "quem nos cruzámos na rua, ou no café, mas em quem não reparámos" — "muito à Humans of New York", reconhece. São vistas num ecrã, mas o que Mário quer com elas é que se olhe menos para o telemóvel, mais para quem nos rodeia. Começou o projecto com um amigo há um ano, mas mais recentemente é ele que produz, filma e edita os minidocumentários, na cidade onde estiver, em todas as folgas de tours, workshops ou audições que consegue juntar. O documentário sobre Ana Paula Lopes e o projecto fotográfico que começou depois de uma mastectomia, que aqui partilhámos, é o mais recente. O bailarino de 25 anos está a preparar uma mini série sobre veteranos de guerra, em Braga, onde nasceu, e em Inglaterra, onde estudou dança contemporânea e vive há quatro anos, em Leeds.

Porquê veteranos de guerra? “Curiosidade”, diz, simplesmente. Como a que “tens pela pessoa que entra no café, de quem nada sabes”. “E depois até queres abordar conversa, mas não sabes como.” Pôr-se atrás de uma câmara ajudou. "Temos todos de aprender a ouvir", acredita. E dar ouvidos a outras vozes: "Estas pessoas não são influencers, não são actores, não seguem guiões. Os documentários já são filmados com a qualidade e o cuidado de um filme, mas tudo é real. É fascinante."

Se, por acaso, souberes responder à primeira pergunta do texto, entra em contacto com ele.

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