Túmulos abertos no Vaticano para encontrar Emanuela Orlandi estão vazios

Não há corpos dentro dos túmulos de duas princesas enterradas no século XIX. Autoridades continuaram a investigar as construções sobre o cemitério no Vaticano.

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Peritos abriram túmulos de duas princesas enterradas no cemitério Teutónico, no Vaticano EPA/VATICANO
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Peritos abriram túmulos de duas princesas enterradas no cemitério Teutónico, no Vaticano EPA/VATICANO
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O irmão de Emanuela Orlandi em declarações à comunicação social Reuters/REMO CASILLI

Os túmulos de duas princesas sepultadas no século XIX, abertos esta quinta-feira numa tentativa de se encontrar o corpo de uma adolescente desaparecida em 1983, não tinham quaisquer restos mortais, anunciou o Vaticano.

A pesquisa teve resultado negativo: não foram encontrados restos humanos, nem urnas funerárias”, disse em comunicado o director da sala de imprensa do Vaticano, Alessandro Gisotti.

Os túmulos foram abertos na manhã desta quinta-feira em resposta ao pedido da família da adolescente, Emanuela Orlandi, desaparecida desde 1983. A família de Emanuela e descendentes das princesas estiveram no local.

Logo após a abertura dos túmulos, a advogada da família, Laura Sgro, mostrou surpresa com o resultado. “Os túmulos estão vazios. Estamos todos surpreendidos”, disse a advogada.

“Eles [os peritos] desceram e encontraram uma sala de quatro por três metros, o que foi a primeira surpresa, mas não havia absolutamente nada dentro”, disse aos jornalistas o irmão de Emanuela, Pietro Orlandi, à entrada do cemitério.

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O pedido da família surgiu após a advogada ter recebido uma carta anónima com a sugestão de que o corpo de Emanuela poderia estar num dos túmulos no cemitério Teutónico, na Cidade do Vaticano. No monumento há uma estátua de um anjo a segurar um livro com a frase em latim Requiescat in Pace (descansa em paz).

Os descendentes das duas princesas concordaram com as buscas e já “foram informadas sobre o resultado”, afirmou a fonte do Vaticano. Os túmulos das princesas Sophie von Hohenlohe (morta em 1836) e Charlotte-Frédérique de Mecklembourg (morta em 1840), de origem austro-alemães, estavam ambos vazios.

Estão em curso pesquisas nos arquivos para conhecer a natureza das obras realizadas naquele cemitério, algumas das quais datam do fim do século XIX e outras dos anos 1960 e 1970.

Um mistério persistente 

Emanuela Orlandi desapareceu a 22 de Junho de 1983, quando tinha 15 anos, após sair de casa, no Vaticano, para ir a uma aula de música em Roma.

O seu desaparecimento é um dos maiores mistérios de Itália, havendo teorias da conspiração a implicarem a máfia ou o Vaticano.

As teorias sobre o desaparecimento de Orlandi crescerem desde a tentativa de libertar Mehmet Ali Agca, um cidadão turco preso em 1981 por tentar assassinar o Papa João Paulo II, que estava associado a Enrico De Pedis, um mafioso sepultado numa basílica em Roma. O seu túmulo foi aberto em 2012, mas não foram detectadas provas relacionadas com Emanuela Orlandi.

No ano passado, ossadas encontradas no solo da embaixada do Vaticano em Roma levaram os meios de comunicação social italianos a associarem Orlandi a Mirella Gregori, outra adolescente que desapareceu no mesmo ano. Testes de ADN tiveram, porém, um resultado negativo.

Em 1983, a polícia não excluiu a possibilidade de Orlandi ter sido sequestrada e morta por razões que não estejam ligadas ao Vaticano ou que tenham sido vítimas de tráfico humano.