PAN questiona Governo sobre abate de cavalo durante tourada em Coruche

Durante um espectáculo de tauromaquia em Coruche, quatro forcados e cavaleiros ficaram feridos e um cavalo teve de ser abatido por causa de uma fractura exposta numa das patas.

Assunção Cristas
Foto
Rui Gaudêncio

O PAN (Pessoas-Animais-Natureza) quer saber o que aconteceu durante um espectáculo de tauromaquia realizado na vila de Coruche, em Santarém, este sábado, e que culminou no abate de um cavalo.

Na noite de sábado, dois forcados e dois cavaleiros tiveram de ser assistidos e depois transportados para o Hospital de Santarém depois de terem sido colhidos durante a pega de touros. Segundo o Correio da Manhã, os forcados João Ventura e Luís Fera, do Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita, e os cavaleiros tauromáquicos Ana Batista e João Moura Júnior, ficaram feridos em três momentos do espectáculo — mas já se encontram fora de perigo. 

Durante uma das pegas, o cavalo montado por João Moura Júnior, o Xeque-Mate, sofreu uma fractura exposta numa das patas, ferimento que fez com que tivesse que ser abatido por ordem do veterinário de serviço. Numa publicação partilhada nas suas redes sociais, o cavaleiro já lamentou a morte de “um dos cavalos que marcou a sua vida”.

“Como sabem, na lide do meu único toiro, o sexto da noite e da ganadaria São Torcado, montado no Xeque-Mate fomos, violentamente, colhidos e derrubados, deixando-nos à mercê do toiro. Como também sabem, o Xeque-Mate fez uma fractura exposta na pata direita. As hipóteses caíam sobre o mais difícil e seguiram-se as recomendações do médico veterinário, de maneira a eliminar o seu sofrimento e assim garantir o seu bem-estar”, escreveu João Moura Júnior na publicação feita esta segunda-feira.

Como resultado da queda, o cavaleiro afirma que fez um “um corte interno e externo no lábio inferior" e que sofreu “uma forte pancada na cabeça que o deixou atordoado”.

“A noite de Coruche foi a pior, vivida em toda a minha carreira enquanto cavaleiro, enquanto Homem, enquanto amante dos animais e, sobretudo, enquanto fiel amigo dos meus cavalos. Perdi um companheiro com que trabalho há quase 10 anos, todos os dias, e com o qual criei fortes laços e sentimentos que sei que eram mútuos”, lê-se na publicação.

Agora, num documento endereçado ao Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, o partido questiona o Governo sobre a presença de um veterinário na praça no momento do acidente, um factor que é exigido por lei, e também por que razão não foi o animal imediatamente socorrido. Para o PAN, é ainda necessário perceber se o abate era ‘'necessário”, “porque era absolutamente forçoso o abate do animal” e se não era possível a recuperação do cavalo mesmo que não pudesse participar mais em actividade tauromáquicas.

No mesmo documento, o partido afirma que “o episódio de violência ocorrido este sábado deixa claro que os touros não são as únicas vítimas do alegado espectáculo tauromáquico e que “esta é evidentemente uma actividade que também coloca em risco as pessoas e outros animais, como é o caso dos cavalos”.

“O PAN aproveita a ocasião para expressar a sua condenação a todos os espectáculos que promovam ou inflijam violência sobre animais e, lamentando a oportunidade perdida na presente legislatura para terminar com os eventos violentos e de morte que são as corridas de touros, reassume o compromisso de, já na próxima legislatura, voltar a pugnar pelo fim dos espectáculos tauromáquicos, na esperança de que os partidos tradicionais estejam finalmente à altura dos anseios da população portuguesa”, refere ainda o partido.

O PAN tem estado na linha da frente da luta pela abolição das touradas em Portugal. Já apresentou vários projectos de lei sobre o tema e todos foram chumbados. Em Julho de 2018, a proposta do PAN para a abolição das touradas em Portugal foi chumbada no Parlamento, só recolhendo o voto favorável de André Silva, do BE, do PEV, de oito deputados do PS e de um do PSD. 

No entanto, no âmbito das negociações do Orçamento do Estado (OE) para 2019, o partido conseguiu pôr fim ao apoio à produção de touros para touradas e o fim da redução do IVA para os bilhetes de touradas.