Os carros autónomos são uma solução para os mais velhos?

Uma experiência na Universidade de Newcastle indicou que os condutores com mais idade têm mais dificuldades em assumir a condução numa situação de emergência.

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Elijah Nouvelage/Reuters

Os automóveis autónomos prometem um futuro mais seguro. Um carro-robô reage mais depressa do que um humano, não se cansa, nem tem sono. Muitos – entre os quais as autoridades do Japão, um país a braços com um forte envelhecimento – vêm os carros autónomos como uma solução para a mobilidade de um grupo específico: os mais velhos.

Mas o caminho para a segurança rodoviária robótica não é curto, nem sem curvas. O sector definiu cinco níveis para os carros autónomos. Só o último nível – que está longe de se massificar nas estradas – é o de uma condução inteiramente feita pela máquina, sem que haja sequer volante ou pedais. Até lá, um humano será chamado a assumir os comandos em situações mais complicadas – incluindo situações de emergência. Em mais do que uma ocasião, a falha em assumir a condução por parte do humano resultou em acidentes com vítimas mortais (aconteceu com a Uber e com a Tesla).

É neste ponto que a ideia de carros autónomos como uma solução para as falhas dos condutores mais velhos esbarra com alguns problemas, indica uma experiência feita pela Universidade de Newcastle, no Reino Unido.

Investigadores mediram o tempo que jovens adultos e idosos demoravam a assumir o controlo de um carro autónomo, bem como a capacidade que tinham para evitar obstáculos. Os mais velhos demoravam mais tempo e tinham mais acidentes (que, eventualmente, poderiam ser evitados se nunca tivessem tirado as mãos do volante e os olhos da estrada).

“Para as pessoas mais novas, mudar de tarefas é bastante fácil, mas à medida que envelhecemos, torna-se cada vez mais difícil e é ainda mais complicado se as condições da estrada forem más”, observou Shuo Li, um dos académicos responsáveis pelo estudo.

O estudo dividiu 76 participantes em dois grupos etários: dos 20 aos 35 anos e dos 60 aos 81. Cada participante foi colocado num simulador de um carro autónomo, completamente afastado das tarefas de condução: não tinha os pés nos pedais, não estava de frente para o volante e estava a ler em voz alta a partir de um tablet.

Quando alertados para uma situação perigosa em que tinham de assumir a condução, os participantes mais velhos demoraram, em média, 8,3 segundos a lidar com a situação – apenas 1,3 segundos a mais do que o grupo mais jovem. Mas esta é uma diferença que, disse Li, é relevante na estrada: “A 60 milhas por hora [97 quilómetros por hora], significa que os condutores mais velhos precisariam uma distância extra de aviso de 35 metros – é o equivalente ao comprimento de dez carros.” Num ambiente urbano, o grupo mais velho registou 20 acidentes, mais oito do que o grupo mais jovem.

Os resultados contrariam as conclusões de uma experiência semelhante feita pela Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, em 2016. Nesse caso, os condutores mais velhos travavam com mais força, mas tiveram desempenhos semelhantes. “Isto poderia causar problemas de trânsito”, apontaram na altura os investigadores, “mas, em ultima instância, ambos os grupos etários foram capazes de assumir o controlo do veículo atempadamente e de forma segura”.