Expansão do metro para Loures é “investimento prioritário” para a área metropolitana. Parlamento debate petição

Parlamento discute esta sexta-feira petição que reivindica a expansão do metro de Lisboa para Loures. “É um investimento estratégico para toda a área metropolitana”, diz o autarca de Loures, Bernardino Soares.

Metropolitano de Lisboa vai ter duas novas estações até 2023: Santos e Estrela
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Metropolitano de Lisboa vai ter duas novas estações até 2023: Santos e Estrela Enric Vives-Rubio

Para o presidente da câmara de Loures, a extensão do metro para o concelho de Loures deve ser um dos “investimentos prioritários da Área Metropolitana de Lisboa e do país”. Por isso, em Julho de 2017, Bernardino Soares fez chegar à Assembleia da República uma petição pública, que reivindica o prolongamento do metro de Lisboa a Loures, Santo António dos Cavaleiros, Infantado, Portela e Sacavém. O documento, que obteve mais de 31 mil assinaturas, será discutido esta sexta-feira na Assembleia da República. E apesar da demora, o autarca diz que a altura é muito oportuna. “Este é o momento em que vão ter que ser tomadas decisões por parte do Governo em relação aos grandes projectos de infra-estruturas e à definição dos recursos que serão aplicados”, diz ao PÚBLICO.

Para o autarca, primeiro signatário da petição, o prolongamento do metropolitano a Loures permitirá “cobrir uma falha grave nas infra-estruturas pesadas” de transporte na AML. “Desse ponto de vista, é um debate muito importante para o concelho de Loures, mas esta infra-estrutura é muito importante para uma boa rede de mobilidade na área metropolitana”. Porque, continua, além da deslocação Loures – Lisboa – Loures há também deslocações para o concelho de outros municípios a norte e a Oeste que seriam beneficiadas. 

“Há muita gente em Mafra, em Vila Franca [de Xira], em Torres Vedras, que atravessa o concelho de Loures para chegar a Lisboa em viatura própria e esses também são potenciais beneficiários do metropolitano porque terão uma alternativa que fará com que muitos deles optem pelo transporte público”, aliviando assim o trânsito e a pressão do estacionamento em Lisboa, nota Bernardino Soares. 

Ainda em Maio, durante uma conferência sobre mobilidade e sustentabilidade, o presidente da câmara de Mafra, Hélder Silva (PSD), considerava que a expansão do metropolitano para Loures seria uma “enorme mais-valia” para todos os habitantes dos concelhos da zona Oeste que se deslocam diariamente para Lisboa.

A discussão desta petição é feita no mesmo dia em que o Parlamento debate e vota também recomendações do PSD, PCP, BE, PEV e PAN para a expansão da rede do metro de Lisboa até Loures, todas elas com críticas à opção pela construção da linha circular. “Vamos para este debate com a forte expectativa de poder ser consensual entre todos os grupos parlamentares a prioridade é esta extensão do metro para o concelho de Loures”. 

Há dois anos, o Governo anunciou a construção de mais duas estações — Estrela e Santos —, ligando o Rato ao Cais do Sodré numa linha circular. A empreitada está orçada em 210 milhões de euros e implicará também alterações no traçado da Linha Amarela, que segundo o novo plano, ficará reduzida ao troço Telheiras-Odivelas. Já a linha verde funcionará como um anel. 

Sobre esta opção pela construção da linha circular em detrimento do alargamento da rede de metro a outros locais da capital ou aos concelhos vizinhos, Bernardino Soares apenas diz que “não há nada mais prioritário no dimensionamento da rede do metro do que extensão para o concelho de Loures”.

Para o autarca, eleito pelo PCP, a implementação do passe metropolitano, único para os 18 concelhos que compõem a AML, acentuou a necessidade deste investimento. “Não se vai resolver o problema da escassez de oferta apenas com o concurso que a AML vai fazer para o transporte rodoviário”, sublinha. Durante o ano será lançado um concurso público internacional para vários lotes de redes municipais e intermunicipais com vista ao reforço do transporte rodoviário de passageiros, que passará a operar debaixo de uma marca única, ainda que sejam vários os operadores envolvidos.

“É preciso que o transporte rodoviário seja um complemento de um meio pesado de transporte para Lisboa porque a população que por aqui passa vinda de outros concelhos não vai ter uma alternativa adequada, mesmo que melhoremos muito o transporte rodoviário”, conclui.