Madrid suspende proibição a carros poluentes no centro da cidade

Novo presidente da Câmara da capital espanhola decidiu recuar na medida adoptada pelo anterior executivo. Milhares de pessoas protestaram nas ruas contra decisão.

Carros no centro de Madrid
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A medida, agora revertida, pretendia reduzir até 23% os níveis de emissão de gases com efeito de estufa no centro de Madrid LUSA/FERNANDO ALVARADO

Num momento em que os governos europeus juntam esforços para limpar o ar das cidades, Madrid caminha no sentido contrário. A capital espanhola que, em Novembro, tinha iniciado um programa de combate às emissões de gases com efeito estufa que incluía a total proibição de circulação de veículos poluentes no centro da cidade, viu essa medida revertida pelo executivo de José Luis Martínez-Almeida, do Partido Popular (PP).

O recém-empossado presidente da Câmara de Madrid — que estabeleceu um governo de coligação com o Cidadãos, apoiado pelo Vox — reverteu a iniciativa ecológica, para o desagrado de milhares de pessoas, que protestaram, no passado domingo, pelas ruas da capital espanhola, num dia em que o país atravessava uma onda de calor que já tinha provocado dois mortos.

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Manifestantes juntaram-se em Madrid para protestar com decisão do presidente da Câmara David Fernandez / LUSA

Manuela Carmena, autarca que antecedeu José Luís Martínez-Almeida, traçou este projecto como um dos seus principais objectivos no mandato à frente da Câmara de Madrid. Aprovado no final de Outubro, a iniciativa visava melhorar a qualidade de vida e aumento da segurança de um espaço urbano partilhado por carros, bicicletas, pedestres e um número crescente de transportes pessoais.

Foi desenhada uma zona de baixas emissões com uma área total de 472 hectares, onde veículos a gasolina registados antes de 2000 e a diesel antes de 2006 estavam impedidos de circular, a menos que fossem utilizados por residentes. Quem fosse apanhado a desobedecer a estes regulamentos seria multado em 90 euros, numa proibição que não abrangia veículos de emergência. Até 2020, a autarquia procurava reduzir até 23% os níveis de emissão de gases com efeito de estufa.

A restrição aos veículos antigos — e mais poluentes — é algo comum a várias cidades europeias. Em 2003, Londres tornou-se a primeira cidade da Europa a obrigar os condutores a pagar uma “taxa de congestionamento” para circularem no centro da cidade. Em Portugal, Lisboa foi a primeira cidade a adoptar medidas que restringem a circulação de carros antigos. No centro da capital portuguesa, estão proibidos de circular veículos anteriores a 1992.

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