“Se as eleições fossem unipessoais, António Costa prescindiria dos outdoors

Três perguntas a Marcos Sá, subscritor da proposta ambiental para a campanha eleitoral do PS e director de Comunicação e Educação Ambiental da EPAL

Marcos Sá é um dos cinco subscritores da proposta do PS
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Marcos Sá é um dos cinco subscritores da proposta do PS Nuno Ferreira Santos

Esta proposta nasce da consciência de que os partidos, e em especial o PS, consomem recursos excessivos e pouco sustentáveis durante as campanhas eleitorais?
Esta proposta nasce da ideia de que todos os intervenientes na nossa comunidade, individuais ou colectivos, têm de mudar de comportamentos e contribuir para deixarmos um planeta verde às próximas gerações. Nesse sentido, todos os partidos têm o dever de demonstrar que fazem na campanha eleitoral aquilo que defendem para o ambiente nos seus programas eleitorais. O PS, com a execução e cumprimento desta proposta, dá mais um contributo para promover a sustentabilidade ambiental. Se estas boas práticas ambientais forem seguidas durante a campanha eleitoral das legislativas por todos os partidos políticos, Portugal será um exemplo de campanha a seguir em todo o mundo.

O desafio público aos outros partidos para a redução de outdoors será posto em prática pelo PS, mesmo que os outros não o façam?
Esta campanha não é unipessoal, como são as eleições presidenciais, senão estou convicto de que o dr. António Costa faria exactamente o mesmo que fez o dr. Marcelo Rebelo de Sousa, ou seja, prescindiria de todos os outdoors, pois é o candidato que tem mais notoriedade junto do eleitorado. Contudo, esta campanha eleitoral é dos partidos políticos e o desafio terá de ser, na minha opinião, um desafio político no qual poderá vir a ser assumido um compromisso colectivo de redução de 50% de outdoors, concretizado por todos os partidos políticos que apresentam candidaturas. Tenho a certeza de que os eleitores iriam reconhecer o mérito simbólico desta medida.

Há nove anos propôs o consumo de água da torneira no Parlamento e no ano passado apresentou uma moção ao congresso do PS para que esse consumo passe a ser uma política pública. Qual o impacto que estima que esse consumo possa ter na campanha eleitoral?
A verdade é que já perdemos nove anos! E contribuímos, mais uma vez, pela inacção e veto de gaveta que o Parlamento fez depois de ter a proposta aprovada, para a produção de milhões de toneladas de plástico e para a emissão de milhões de toneladas de gases com efeito de estufa, para transportar uma embalagem de plástico, quando temos uma das melhores águas do mundo numa torneira mesmo ao nosso lado e cuja qualidade é validada pela ERSAR. Infelizmente, muitos milhares destas garrafas de plástico consumidas estão agora no nosso meio ambiente (oceanos, rios, florestas) e contribuíram para um dos principais problemas ambientais deste século! O PS apresentou no seu programa eleitoral uma medida que contempla uma rede de bebedouros públicos, georeferenciada numa app [aplicação] de âmbito nacional, e que irá permitir o refill [enchimento de garrafas] com água da torneira, a opção mais amiga do ambiente. O nosso planeta e as futuras gerações merecem este combate. Eu pela minha parte, não desistirei de defender um planeta sustentável para todos.