Torne-se perito

Costa vai escolher um terço dos futuros deputados do PS

Ana Catarina Mendes pede uma “maioria absolutamente inequívoca” para o PS nas legislativas.

Ana Catarina Mendes
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Ana Catarina Mendes Rui Gaudencio

A três meses das eleições, os socialistas começam a preparar-se para o embate quer com a escolha de critérios para os candidatos a deputados quer a nível político, definindo a mensagem que vão passar. Se na definição dos requisitos para a escolha dos futuros parlamentares não houve grandes problemas na comissão política nacional, que se reuniu esta quinta-feira à noite num hotel em Lisboa, já quanto à mensagem sobre alianças para futuro os socialistas ainda não consensualizaram o que dizer. E vão testando adjectivos em torno da ideia de uma maioria absoluta. Ou “absolutamente inequívoca”.

“O que estou a pedir é que os portugueses confiem no PS para continuarmos este caminho de recuperação e que haja uma maioria absolutamente inequívoca para o PS, que significa dar força ao PS para continuarmos a melhorar a vida dos portugueses”, disse aos jornalistas a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes.

A dirigente socialista, que será também directora de campanha de António Costa nas legislativas de Outubro, detalhou os critérios que foram aprovados para a escolha dos candidatos - a ideia de directas, defendidas por Daniel Adrião, para a escolha dos elementos da lista não passou. O documento foi aprovado por maioria, com 14 votos contra. Dos critérios resulta que as listas têm de ser “tendencialmente paritárias” e que “obrigatoriamente” têm de cumprir a lei da paridade “para que haja mais participação de mulheres na vida política”. Na prática, significa que tem de haver no mínimo 40% de representação de um dos sexos.

Ficou ainda estabelecido que António Costa terá direito a escolher todos os cabeças de lista e que a comissão política nacional, sob proposta de António Costa, “designará, indicando o seu lugar de ordem, 30% do número total de deputados eleitos na última eleição”. Nas últimas legislativas, de 2015, o PS elegeu 86 deputados.

Ao todo são oito os critérios para a elaboração das listas, sendo um deles que acautela o trabalho de alguns deputados que agora cessam a legislatura e a sua fidelidade ao grupo parlamentar liderado por Carlos César. Diz o documento que “as federações deverão ter em consideração a capacidade de representação e de compromisso com a actividade do grupo parlamentar, nomeadamente a dedicação no exercício do mandato, a sua capacidade de representação e o empenhamento demonstrado”.

Já sobre a mensagem política, pouco foi adiantado. Para já, os socialistas vão prosseguir com as convenções regionais para debater os principais temas do programa eleitoral: “Desigualdades”; “Alterações climáticas”; “Demografia” e “Sociedade digital”.

As políticas de alianças ainda não entram na discussão, apesar de se fazerem sentir nos corredores. Depois de, já esta semana, Carlos César ter colocado de parte dos parceiros de esquerda, PCP e BE, criticando-os de forma violenta, esta noite, na SIC Notícias, o ministro das Infra-estruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, defendeu que o trabalho com os parceiros de esquerda “veio para ficar”.

Questionada sobre o assunto, Ana Catarina Mendes defendeu a ligação aos partidos à esquerda do PS: “É para todos claro que, sendo o PS o maior partido nesta solução de Governo, sem ele não seria possível este conjunto de resultados. Mas é também de dizer que os parceiros que ao longo dos quatro anos apoiaram a soluções de Governo e que apoiaram os orçamentos do Estado contribuíram também para esta credibilidade”.

Primárias chumbadas

Na reunião desta quinta-feira, os socialistas acabaram também por rejeitar a realização de primárias para a escolha dos candidatos, uma proposta feita pelo conselheiro Daniel Adrião. A proposta acabaria por ser rejeitada com 23 votos a favor. Ao que o PÚBLICO apurou, Costa disse que as primárias, apesar de estarem previstas nos estatutos do partido devem apenas ser usadas em “momentos substanciais no plano político”.

Foi a direcção de António Costa que incluiu a possibilidade de realização de eleições primárias, onde os candidatos são escolhidos pela generalidade dos cidadãos que se inscrevam, para a escolha de titulares de cargos políticos, no entanto, estas apenas se realizaram aquando da sua disputa pela liderança do partido contra António José Seguro, quando não faziam parte das regras. Desde que constam dos estatutos, ainda não foram utilizadas.

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