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Da glorificação da coscuvilhice à crueldade de saber que não há solução

Será a ficção uma forma glorificada de coscuvilhice? A indagação é de Alexandre Andrade numa conversa acerca do seu mais novo livro, Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul. Onze contos que exploram os efeitos mais ou menos violentos, mais ou menos imediatos, da cor. E um comentário sempre irónico sobre a vida normal.

Porque é que um quadro pode suscitar em alguém uma reacção tão violenta a ponto de o golpear no museu onde está exposto? Ou, de outro modo, porque é que uma cor tem o poder de nos deixar mais alegres, tristes ou irascíveis? O que é que uma cor pode dizer, por exemplo, sobre quem a usa? “Your scarf, it was apricot”, cantava Carly Simon em You're So Vain, citada por Alexandre Andrade (Lisboa, 1971) na epígrafe de Todos Nós Temos Medo do Vermelho, do Amarelo e Azul, volume de onze contos sobre as reacções humanas à cor. “É algo a que não escapamos e que suscita em nós uma resposta mais ou menos intensa, dependendo da cor, mas que é muito visceral e muito imediata”, diz o escritor sobre o seu último livro e meses depois de ter vencido o PEN de narrativa com Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa (Relógio d’Água, 2017).