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Guerra entre facções nas cadeias do Amazonas faz pelo menos 57 mortes em dois dias

Corpos mostravam sinais de asfixia. O estado do Amazonas é um dos que tem maior população carcerária e onde a sobrelotação das prisões é um problema mais grave.

Familiares concentram-se às portas dos estabelecimentos prisionais
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Familiares concentram-se às portas dos estabelecimentos prisionais Reuters/BRUNO KELLY

Pelo menos 57 detidos foram encontrados mortos, nos últimos dois dias, em quatro estabelecimentos prisionais na cidade de Manaus, no estado brasileiro do Amazonas, no norte do país. O Ministério da Justiça, liderado por Sérgio Moro, anunciou que vai enviar uma equipa para apoiar o governo estadual a resolver esta situação de crise.

A Globo — que cita a Secretaria de Administração Penitenciária brasileira — escreve que os corpos mostravam indícios de asfixia. Os corpos foram descobertos durante uma inspecção dos agentes de segurança nas prisões de Manaus.

Segundo o portal de notícias brasileiro G1, os reclusos encontravam-se no Instituto Penal Antônio Trindade (25 mortos), na Unidade Prisional do Puraquequara (6 mortos), no Centro de Detenção Provisória Masculino (5 mortos) e no Complexo Penitenciário Anisio Jobim (quatro mortos). Já no domingo, neste último estabelecimento prisional, outros confrontos entre presos causaram 15 mortos. 

Os primeiros incidentes ocorreram ao final da manhã de domingo, durante o período de visitas, algo pouco comum em casos deste género, segundo o que explicou o secretário da Administração Penitenciária do estado, Marcus Vinícius ao jornal O Globo.

Pensa-se que tenha sido este incidente de domingo a dar origem à violência desta segunda-feira, que envolveu gangues rivais. De acordo com o jornal brasileiro Estadão, os incidentes inserem-se na guerra de facções entre as organizações criminosas Família do Norte e Comando Vermelho, que disputam o controlo das rotas do tráfico de droga no Amazonas. Esta região é ainda disputada pelo Primeiro Comando da Capital, outra poderosa facção criminal.

Depois das primeiras mortes no Complexo Penitenciário Anisio Jobim (Compaj), as forças policiais separaram os grupos rivais e isolaram cerca de 200 presidiários nas quatro unidades. Segundo a mesma fonte, não se registaram ferimentos em familiares de reclusos nem em guardas prisionais. 

As primeiras vítimas foram mortas com escovas de dentes que foram raspadas até ficarem pontiagudas. Já a maior parte das vítimas desta segunda-feira foi enforcada. A situação foi controlada por volta das 15h, mas a falta de informações levou os familiares das vítimas a concentrar-se nos portões dos centros presidiários. Por questões de segurança as visitas foram suspensas durante 30 dias. 

Notícia actualizada às 11h56 com novas informações sobre os incidentes.

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