Rio perde uma eleição pela primeira vez, mas quer “ganhar as legislativas”

O presidente do PSD reagiu à derrota do PSD quatro horas depois de as urnas terem fechado. Assumiu a sua quota de responsabilidade e pediu mudanças na forma de fazer campanha.

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Cedo se percebeu que o PSD não teria uma vitória nas eleições europeias. A sala que o partido reservou, no Hotel Sheraton no Porto, tinha apenas 24 cadeiras vazias alinhadas e muito poucas figuras públicas do partido presentes. A certeza chegou pouco tempo depois quando o secretário-geral do partido, José Silvano, usou pela segunda vez o palco para dizer: “Há uma tendência que anuncia que o PS é o partido vencedor” da noite eleitoral. O dirigente nacional do PSD referia-se às projecções da RTP e da SIC divulgadas à hora do fecho das urnas e que davam a vitória ao Partido Socialista.

Eram 22h20 quando o cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, desceu para comentar os resultados, depois de estar reunido com Rui Rio e a direcção nacional dos sociais-democratas, numa sala à porta fechada de onde nada transpirava para fora.

Rui Rio precisou de quatro horas para reagir aos resultados da noite eleitoral: à sua primeira derrota nas urnas. Assumiu que a mensagem do PS passou melhor do que a mensagem do PSD e que a responsabilidade também era sua porque os resultados do partido ficaram aquém das expectativas que a direcção nacional tinha. Mas deixou bem claro que não encontra razões para sair.

Acha que tem condições para se manter na liderança do PSD, perguntaram os jornalistas, ao que Rio respondeu prontamente: “Só se estivesse completamente farto é que me ia embora para fugir às minhas responsabilidades”, afirmou, reconhecendo uma vez mais que o partido não alcançou as metas definidas: “Ganhar as eleições e aumentar o número de deputados [em 2014, o PSD concorreu em coligação tendo eleito sete deputados]. Não vale a pela estar com floreados”

Depois de felicitar o PS e António Costa pela vitória nas europeias, Rio disse que tem o partido consigo e que só o “PSD pode ser alternativa ao PS e é evidente que Portugal precisa dessa alternativa”. E traçou objectivos: “Ganhar as eleições legislativas de Outubro”. A revelação foi feita já no período de perguntas e respostas e foi recebida com uma sonora salva de palmas.

Num discurso onde apontou criticou a “incapacidade do sistema político para responder às necessidades do país”, o líder social–democrata questionou a alta abstenção na casa dos 70% e exortou os partidos políticos a fazer uma reflexão sobre o que leva as pessoas a não irem votar. E pediu criatividade ao partido para a campanha das legislativas que se aproxima. “Tempos de fazer um a campanha diferente dos moldes tradicionais”, defendeu.

Antes tinha falado Paulo Rangel, que tal como Rio, foi recebido pelos militantes com uma salva de palmas e ao som de “PSD, PSD, PSD”. Rangel lamentou os elevados índices de abstenção que - disse - “obriga-nos a todos a um reflexão sobre a nossa vida politica”. Depois elogiou o PS pela vitória, por uma questão de “fair play” e assumiu que o PSD não atingiu os dois objectivos a que se propôs: “Um era o partido vencer as eleições europeias e se não fosse possível atingir o patamar de 2014 “A manterem-se os resultados, o partido mantêm a representação, não tendo alcançado o objectivo de eleger um maior número de deputados”, acrescentou Paulo Rangel.

 Assumindo a sua quota de responsabilidade pela derrota nas europeias, Paulo Rangel e tratou de explicar que o “PSD arrancou para este desafio em circunstâncias difíceis”, aludindo à “turbulência interna” que o partido atravessou com Luís Montenegro a desafiar Rui Rio para directas para disputar a liderança e também ao facto de haver novos partidos da área do PSD a concorrer às europeias”.

Rangel assumiu que a mensagem do PSD não passou e fez mea culpa pelo facto de ter contribuído “por acção de António Costa” de andar a falar de questões nacionais numas eleições que são europeias. “Por acção de António Costa as eleições foram muito nacionalizadas” e o PSD foi atrás, justificou. “A diferença entre o resultado alcançado pelo PS e pelo PSD é grande e nós não atingimos os nossos objectivos e eu, como cabeça de lista, estou aqui a assumir as minhas responsabilidades”, declarou o eurodeputado.