Partido do Governo ganha na Polónia após campanha baseada em religião e sexo

Europeias são as primeiras de uma série de três votações importantes: seguem-se as legislativas e as presidenciais.

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O líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski, congratula-se com o primeiro lugar segundo as projecções Jakub Kaminski/EPA

Na Polónia era esperada a vitória do Partido Lei e Justiça (PiS) no Governo, e segundo as sondagens à boca das urnas foi o que aconteceu. O PiS terá obtido 42,4% dos votos, contra 39,1% da Coligação Europeia, composta por cindo partidos, da Plataforma Cívica de centro-direita à Aliança Democrática de Esquerda.

Os dois praticamente confirmaram as sondagens, e qualquer efeito que se esperasse da maior participação nesta eleição – 43%, muito mais do que os 23% da última eleição europeia – não favoreceu nenhum dos partidos.

A eleição foi vista como o pontapé de saída numa série de três votações, seguindo-se as legislativas no Outono e as presidenciais no próximo ano.

O partido progressista Wiosna (Primavera), fundado pelo primeiro deputado assumidamente homossexual do país, Robert Biedron, obteve 6,6% e o eurocéptico e anti-imigração Konfederacja, que protagonizou tiradas abertamente anti-semitas na campanha, 6,1%.

A campanha da oposição ao partido Lei e Justiça, cujo Governo é alvo de procedimentos da União Europeia por desrespeito às regras do Estado de Direito, foi baseada no perigo de um choque com Bruxelas que pudesse ter consequências para o país.

A campanha tornou-se ainda a dada altura, como diz o diário britânico The Guardian, “numa guerra de palavras sobre religião, sexo e moral depois de um documentário sobre abusos de membros do clero ter levantado questões sobre a ligação do Governo à Igreja Católica e o partido no poder apresentar os apoiantes de direitos LGBT como uma ameaça para as crianças, num país fortemente religioso em que muitos associam homossexualidade a pedofilia.

Um responsável de uma associação de direitos LGTB, que monitoriza crimes de ódio em relação à comunidade, declarou: “Na última campanha, a grande ameaça foram os imigrantes muçulmanos. Noutras alturas, são os judeus. Agora somos nós”.

O PiS teve ainda uma linha surpreendentemente pró-europeia na campanha, com a sua figura forte, Jaroslaw Kaczynski, a declarar que ser pró-europeu era uma parte de ser “patriota polaco”. Apesar de apresentar as eleições como um combate entre os conservadores que querem manter os valores tradicionais do país e os que querem mudar o seu carácter, pondo em perigo o país. 

O PiS optou antes por apresentar os perigos da adesão à moeda única, dizendo que os preços iriam aumentar caso a Polónia o fizesse, e juntou-se à retórica do nacionalista italiano Matteo Salvini de construir um grupo para mudar a Europa por dentro. No entanto, ao excluir entrar em qualquer grupo com a francesa Marine Le Pen (por causa das ligações à Rússia), tornou difícil qualquer participação do PiS neste grupo.