Rangel diz que demissão de Theresa May “era expectável” e alerta para a complexidade do Brexit

No Porto no final de uma visita ao i3S-Instituto de Investigação e Inovação, no âmbito da campanha para as europeias, o candidato defendeu que Portugal deve “manter a atitude de abertura e flexibilidade ao Reino Unido”.

Paulo Rangel com Rui Rio (PSD)
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Paulo Rangel com Rui Rio (PSD) LUSA/TIAGO PETINGA
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Para Nuno Melo, a demissão d May é a chave para perceber a importância destas europeias LUSA/JOSÉ COELHO
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Rui Tavares considera que a demissão de May evidencia a “tragédia do ‘Brexit’” Rui Gaudencio

PSD

O eurodeputado e cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, comentou a demissão da primeira-ministra britânica, esta sexta-feira, declarando que ela “era algo expectável” e que a decisão de Theresa May “aumenta a complexidade” do processo do “Brexit”.

Paulo Rangel realçou o “comportamento exemplar da União Europeia” neste processo, mas admitiu que a “imprevisibilidade britânica” pode “exasperar ou desesperar” alguns estados-membros, depois de afirmar que Theresa May não tinha grandes soluções. “Isto vai tornar a questão muito delicada e difícil” e Portugal deve “manter a atitude de abertura e flexibilidade ao Reino Unido”, disse.

Em declarações aos jornalistas no final de uma visita no i3S - Instituto de Investigação e Inovação, no Porto, que decorreu no âmbito da campanha para as eleições europeias, o candidato social-democrata considerou que este episódio “aumenta a complexidade do “Brexit" e da questão britânica, mas era algo expectável depois do seu plano ter sido derrotado três vezes. E o quarto plano para o “Brexit" ainda foi mais controverso que os anteriores que ela não tinha grandes soluções. Isto vai tornar a questão muito delicada e difícil”.

“Há um ou outro Estado-membro que, uma vez ou outra, no discurso, se exaspera ou desespera com esta hesitação, esta constante imprevisibilidade britânica. Acho que devemos ter uma atitude como Portugal tem, uma atitude que o PSD apoia, de abertura e flexibilidade ao Reino Unido”, defendeu o candidato, no Porto.

Numa declaração à porta da residência oficial, em Downing Street, a primeira-ministra afirmou ter feito o possível para convencer os deputados a aprovar o acordo que negociou com Bruxelas para fazer o Reino Unido sair da União Europeia, mas que, “infelizmente”, não conseguiu.

CDS

Nuno Melo também comentou a demissão de Theresa May, dizendo que “esta demissão, neste dia, ajuda a perceber tudo o que está em jogo nestas eleições europeias”. Para o cabeça de lista do CDS, “o projecto europeu tem sido um facto de alargamento constante, os países que nos circundam viram sempre neste espaço comum a melhor das apostas”.

“Pela primeira vez há um país que decide sair e nessa saída o que cria toda a confusão com um impacto muito incerto, quer para os britânicos, quer para toda a União Europeia (…). O “Brexit” é um sinal muito nítido de um momento preocupante no projecto europeu. E até por isso é muito importante ir votar”, acrescentou Melo.

BE

Também Marisa Matias comentou os mais recentes desenvolvimentos políticos em Londres. “Creio que a demissão é apenas o último episódio da enorme trapalhada em que se transformou o ‘Brexit’. Eu participei na campanha pela permanência a convite de Jeremy Corbyn dos Trabalhistas no referendo, que foi, na realidade, uma jogada do Partido Conservador britânico e que foi apoiada pelos socialistas e pela direita europeia”, disse a cabeça de lista do BE. 

Para a eurodeputada, o que não pode acontecer é uma saída sem acordo porque isso põe em causa muitos dos cidadãos portugueses europeus que vivem no Reino Unido e os cidadãos britânicos que vivem na União. “O que é importante é que se respeitem os resultados do que foi decidido [no referendo], mas como disse é só mais um episódio da trapalhada.”

Sobre a exposição que esta decisão traz à divisão da UE, em véspera de eleições, Marisa diz: “Há uma confusão enorme e o “Brexit” é um sintoma da confusão em que se transformou a União Europeia com a ajuda do que têm sido as famílias políticas que têm estado à frente da UE. O que é fundamental é não perdemos o foco. E o foco é que uma saída sem acordo não serve a ninguém. Temos muitas histórias de repetir referendos até termos resultados diferentes. Respeite-se a vontade do povo britânico. Apesar de ter feito campanha pelo Partido dos Trabalhistas, a vontade do povo foi expressa. Acho que se tem de chegar a acordo. E esse acordo tem de proteger os cidadãos. É isso o fundamental.”

Livre

O cabeça de lista do Livre, Rui Tavares, afirmou que o pedido de demissão da primeira-ministra britânica evidencia a “tragédia do ‘Brexit’”, considerando “impossível de obter” a saída do Reino Unido da UE.

“A história de Theresa May é a história de políticos que tentaram levar a cabo as mentiras que disseram aos seus cidadãos”, disse Rui Tavares, à margem da greve climática estudantil, que decorreu esta sexta-feira em Lisboa. O mesmo candidato considerou que “é a tragédia do ‘Brexit’” e que se tornou um projecto “impossível de obter”.

“O Livre alertou para ela [a impossibilidade de o Reino Unido sair da UE] e houve partidos, alguns deles à esquerda, que nas suas convenções disseram que Portugal devia fazer um referendo igual. Que não se devia chorar uma lágrima pelo fim da União Europeia”, recordou, concluindo que esses mesmos partidos hoje estão a ver “quem chora lágrimas por um projecto em que foram vendidas mentiras aos cidadãos britânicos”.

Rui Tavares sublinhou também que “qualquer partido que se meta a tentar concretizar um “Brexit” de acordo com critérios que em 2016 foram falsamente vendidos aos britânicos” estaria a tentar consumar algo que “é evidentemente mentira”. Na opinião do primeiro candidato do Livre, o exemplo do Reino Unido deve servir de exemplo aos eurocépticos portugueses: “A saída do euro seria um erro trágico para Portugal.”