Organizações pedem ao MP para agir perante discurso de ódio de Mário Machado

SOS Racismo, Movimento Alternativa Socialista e outras organizações denunciam utilização de rede social russa e de fórum online para “incentivar ao ódio e à violência contra minorias étnicas”.

Mário Machado
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Mário Machado Enric Vives-Rubio/ARQUIVO

Depois de terem sido banidos do Facebook e do Instagram no início do ano, o líder de extrema-direita Mário Machado e o seu movimento Nova Ordem Social passaram a utilizar a rede social russa VKontakte (VK) para fazer publicações xenófobas e islamofóbicas, como noticiava a revista Sábado no domingo. Agora, um conjunto de associações pede ao Ministério Público para instaurar “um processo penal" a Machado e que “investigue” as plataformas usadas pelo activista de extrema-direita.

Segundo um comunicado emitido esta quarta-feira, o líder do Nova Ordem Social tem usado a rede social russa e um fórum online pertencente ao movimento para “exprimir livremente a sua ideologia neonazi e supremacista, para poder livremente incentivar ao ódio e à violência contra minorias étnicas”.

O comunicado é assinado por 17 organizações, incluindo a SOS Racismo, o Colectivo Andorinha, o partido MAS (Movimento Alternativa Socialista), a Frente Unitária Antifascista, os UCR – Ultras Contra o Racismo e os núcleos antifascistas de Braga, Porto e Feira.

“Não aceitamos fechar os olhos perante este tipo de actos, sobretudo quando são cometidos por um criminoso que já foi condenado por crimes idênticos contra a humanidade e lidera um movimento que se exprime principalmente através de um fórum [do movimento], no qual não é raro ver publicações abertamente fascistas, racistas, xenófobas e supremacistas”, consideram as organizações. E acrescentam que, perante o perigo da extrema-direita para a “liberdade e valores democráticos”, é precisa uma “união de todas as forças partidárias e movimentos cívicos”.

Mário Machado, por seu turno, alude precisamente à liberdade que a plataforma russa lhe oferece para se exprimir. “Tivemos de nos reorganizar no VK, onde estamos mesmo à vontade. Dá para publicar o que queremos, sem censurar certas expressões”, explicava à Sábado Machado, admitindo o teor xenófobo de algumas publicações.

O ex-líder da Frente Nacional e do movimento skinhead PHS, antigo militante do PNR e actual líder da Nova Ordem Social, já esteve preso durante uma década pela prática de crimes de discriminação racial, coacção agravada, posse ilegal de arma e ofensa à integridade física qualificada. Foi ainda condenado por tentativa de extorsão no âmbito de outro processo.