Mário Machado saiu da prisão e vai trabalhar em escritório de advogados

Ex-dirigente da Frente Nacional sai em liberdade após cumprir pena por tentativa de extorsão a partir da cadeia, através de carta em que exigia 30 mil euros sob ameaça de morte.

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Mário Machado será acompanhado pelos serviços do Instituto de Reinserção Social Enric Vives-Rubio/Arquivo

O antigo dirigente da Frente Nacional Mário Machado saiu em liberdade condicional na última quinta-feira, após uma década preso, período em que concluiu o curso de Direito da Universidade Autónoma, disse à agência Lusa o seu advogado, José Manuel Castro. Mário Machado, "não obstante não ter abdicado das suas ideias, não tenciona desenvolver qualquer actividade política".

O advogado esclareceu também que Mário Machado "não está proibido de dar entrevistas", mas que, "por opção própria" e com a concordância do advogado, vai adoptar uma postura low profile e recusar qualquer entrevista, pelo menos nos próximos tempos.

Mário Machado, que concluiu o curso de Direito na cadeia, vai trabalhar num escritório de advogados de Lisboa, não ainda como causídico porque falta realizar o estágio da ordem. Durante a liberdade condicional, o antigo líder do movimento Portugal Hammerskins (PHS), de 40 anos e pai de três filhos, será acompanhado pelos serviços do Instituto de Reinserção Social.

José Manuel Castro salientou que Mário Machado esteve preso durante dez anos e foi o recluso pós-25 de Abril que mais tempo esteve numa prisão de alta segurança (três anos), com "fundamentos mais que duvidosos". O advogado disse esperar que a liberdade condicional permita a Mário Machado "recuperar a sua vida".

O líder nacionalista esteve perto de sair em liberdade condicional em Junho do ano passado, após cumprir 5/6 de uma pena unitária de dez anos por condenações relacionadas com discriminação racial, coacção agravada, posse ilegal de arma e ofensa à integridade física qualificada, mais a condenação a dois anos e nove meses de prisão num outro processo, por tentativa de extorsão. Nesse último julgamento, o advogado rejeitou, em declarações aos jornalistas, que Mário Machado seja racista, nazi e ultranacionalista, observando que o seu constituinte se assume como "nacionalista" e com um projecto político.

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