Theresa May: o dever imperativo do “Brexit” e umas eleições que só distraem

A participação britânica nas eleições para o Parlamento Europeu, no final do mês, é apenas o mais recente transtorno aos planos e à credibilidade da primeira-ministra britânica.

Theresa May
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Theresa May Reuters

“Brexit means Brexit!”, afiançou Theresa May, quando no Verão de 2016 foi chamada a arcar com as consequências da decisão do seu antecessor de organizar um referendo à participação do Reino Unido na União Europeia. Mas afinal o que significa “Brexit”? Os anos seguintes acabariam por mostrar à primeira-ministra conservadora, de forma dura, cruel e humilhante, que não há, na verdade, um consenso mínimo sobre o termo na sociedade britânica.

Avaliar o percurso político de May, de 62 anos, sem olhar para a gestão caótica que o seu Governo ofereceu no processo de divórcio com a UE é impraticável. Até porque foi o seu megalómano e muito pessoal sentido de dever, de fazer cumprir o “Brexit” a todo o custo, sem procurar consensos, e sem ponderar adequadamente as margens reduzidas do resultado do referendo, que abriu o caminho para uma inevitabilidade: o desfecho da novela definirá o seu lugar na História.

Escolhida pela cúpula do Partido Conservador para fazer o país cumprir a mais difícil decisão da política britânica moderna, mesmo sendo uma remainer tímida, a ex-ministra do Interior do Governo de David Cameron e deputada por Maidenhead desde 1997, somou contratempos atrás de contratempos – dentro e fora de portas – ao seu plano inicial e ao acordo que negociou com Bruxelas, e fracassou rotundamente na promessa de retirar o Reino Unido da UE no dia 29 de Março.

A participação britânica nas eleições para o Parlamento Europeu, no final do mês, é apenas o mais recente transtorno aos planos e à credibilidade de May que, cada vez mais isolada no partido tory e na Câmara dos Comuns, vai encará-la como uma distracção do essencial: sair da UE com um acordo, se possível antes do dia 2 de Julho – o início da sessão legislativa em Estrasburgo.

Ordenou, por isso, que o Partido Conservador não apresente programa eleitoral e não parece preocupada com a possibilidade de perder o voto brexiteer para o Partido do “Brexit”, de Nigel Farage. Porque imperativo é sair da UE. Com muitos ou poucos eurodeputados.