Pinto da Costa: “O campeonato decidiu-se na Vila da Feira, Braga e Vila do Conde”

O presidente do FC Porto criticou as nomeações dos árbitros para os jogos do Benfica.

Jorge Nuno Pinto da Costa
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Pinto da Costa diz que este campeonato ficou manchado Andre Rodrigues

Pinto da Costa fez duras críticas ao Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Em entrevista ao jornal O Jogo, o presidente do FC Porto não concede justiça no caso de o Benfica ser campeão, dizendo não perceber as escolhas do Conselho de Arbitragem para os últimos jogos do líder do campeonato​. “Depois do clássico, o campeonato decidiu-se em três sítios: Vila da Feira, Braga e Vila do Conde”, sentenciou.

Na opinião do líder dos “azuis e brancos”, o Benfica foi beneficiado nos jogos frente ao Feirense, Sporting de Braga e Rio Ave. E ironiza: “São três jogos em que ainda gostava de saber quem foi buscar os padres à sacristia.”

Na Feira, o líder do campeonato começou a perder e ainda com esse resultado, foi invalidado um golo ao despromovido Feirense por alegado fora de jogo. Já perto do intervalo, o Benfica deu a volta ao marcador, tendo o primeiro golo sido obtido num penálti que os “dragões” consideram não existir.

Pinto da Costa questionou as nomeações de João Pinheiro, que “toda a gente conhece do seu envolvimento nos emails”, e de Bruno Paixão que “tiveram influência directa ao anular um golo limpo ao Feirense e ao inventar um penálti que deu a vitória ao Benfica”.

No jogo com o Sp. Braga, o Benfica voltou a entrar a perder. No segundo tempo, os “encarnados” deram a volta ao marcador com duas grandes penalidades. João Pinheiro voltou a ser um dos árbitros destacados para a partida, desta vez no videoárbitro (VAR), e Pinto da Costa volta a criticar algumas decisões. “Um penálti que não existe, outro que existe e não é marcado, uma agressão, nas barbas do árbitro, do João Félix que dava o segundo amarelo”, avaliou o presidente dos “dragões”.

Já em relação ao jogo do último fim-de-semana, frente ao Rio Ave, o FC Porto, já tinha criticado, através de Francisco J. Marques, director de comunicação do clube portuense, o lance do segundo golo “encarnado”. Desta vez, o Benfica entrou na frente, com um golo de Rafa aos três minutos. Já em cima do intervalo, o os lisboetas dilataram a vantagem, num lance que tem origem numa falta não assinalada favorável ao Rio Ave e que é concluído por João Félix, beneficiando de uma posição irregular.

Neste caso, Pinto da Costa volta a questionar as nomeações, agora a de Luís Godinho para o VAR. “Foi o árbitro que em Moreira de Cónegos expulsou o Danilo por ter ido contra ele quando ia a recuar e que, no final de um famoso V. Setúbal-Benfica, marcou um penálti que deu a vitória que todos contestaram”, apontou o presidente portista que voltou a perguntar: “Havia tantos jogos importantes na I e na II Liga e o senhor Luís Godinho, que eles consideram um árbitro de primeira, foi para o VAR?”.

As críticas não foram apenas para os jogos do rival. Pinto da Costa disse que o FC Porto teve um “empate anormal” em Vila do Conde, porque “dois penáltis claríssimos não foram marcados”. Neste jogo, o FC Porto esteve a vencer por 2-0, mas na recta final da partida, o Rio Ave conseguiu igualar.

Todas as críticas do presidente do FC Porto foram na direcção do Conselho de Arbitragem, apesar de Pinto da Costa acreditar que Fontelas Gomes, presidente do CA, ser “uma pessoa séria”. Contudo, no que diz respeito a confiar nas nomeações, Pinto da Costa diz que das duas uma: ou “está a ser pressionado por alguém”, ou então tem de mudar a opinião, porque considera que “não tem sido capaz de ter decisões que se justifiquem”.

Em resposta a Pinto da Costa, o Benfica, através da sua newsletter, afirmou que “o maior escândalo, farsa ou mancha negra deste campeonato é chegar-se a esta fase decisiva e o FC Porto ainda estar na luta pelo título”.

Sobre este assunto, Pinto da Costa refere que “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade” e não consegue reconhecer justiça caso o Benfica seja campeão.

O presidente dos “dragões” também faz uma crítica à Liga, pois “enquanto nos outros países se pára no Inverno, em Portugal, para fazer o show off que a Liga quer fazer da final a quatro, em vez de dar descanso aos jogadores, mete mais jogos”.

Apesar de ser o presidente mais titulado da história do futebol, com o domínio do futebol nacional durante quase todo o tempo de presidência e com várias conquistas internacionais, Pinto da Costa reconhece que os últimos anos não têm sido bons (o FC Porto esteve quatro anos sem ganhar até à conquista da última edição da I Liga) e que, por causa disso, esta “não pode ser considerada uma má época”, embora confesse que “haverá uma certa frustração”, caso o FC Porto não seja campeão nacional.

Na última jornada do campeonato, o FC Porto vai receber o Sporting, mas, mesmo em caso de vitória, está dependente de uma derrota do Benfica que vai defrontar o Santa Clara no Estádio da Luz para ser campeão. Qualquer outra conjugação de resultados dará o 37.º título aos “encarnados”.