Crítica

Estranho numa terra estranha

Um ensaio informado (e muito informativo) sobre o percurso solitário de um homem livre.

Um traço de carácter justamente sublinhado neste livro é a liberdade de espírito de George Orwell
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Um traço de carácter justamente sublinhado neste livro é a liberdade de espírito de George Orwell ullstein bild/ullstein bild via Getty Images

Talvez do domínio da lenda, conta-se que quando a futura rainha Isabel II quis ler A Quinta dos Animais, o livro de que todos falavam, um criado do palácio de Buckingham correu as livrarias de Londres à sua procura, sem sucesso, e, por suprema ironia, acabou por ser um livreiro anarquista quem cedeu à princesa o seu próprio exemplar da obra. A Quinta dos Animais, de 1945, e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, saído em 1949, são os dois livros mais célebres de Eric Arthur Blair (1903-1950), conhecido por um pseudónimo literário — George Orwell — que, curiosamente, foi escolhido pelo seu editor Victor Gollancz a partir de uma lista que o autor lhe fornecera.