“Ó António, tive uma ideia. E se transformássemos o prédio da 5 de Outubro numa residência universitária?”

Antiga sede do Ministério da Educação vai transformar-se numa residência com 600 camas. Obras de reconversão vão incluir retirada de estruturas de amianto.

António Costa e Tiago Brandão Rodrigues voltaram nesta segunda-feira à antiga sede do Ministério da EDucação
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António Costa e Tiago Brandão Rodrigues voltaram nesta segunda-feira à antiga sede do Ministério da Educação José Goulão/Lusa

António Costa revelou nesta segunda-feira que foi o ministro da Educação a ter a ideia de converter o edifício da Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, onde durante décadas funcionou o ministério, numa residência para estudantes do ensino superior.

Falando na entrega formal da antiga sede do Ministério da Educação ao titular da pasta das Infra-Estruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, o primeiro-ministro dedicou um “agradecimento muito particular” a Tiago Brandão Rodrigues por ter sido ele que, “há cerca de um ano, no início de um Conselho de Ministros”, se lhe dirigiu para dizer: “Ó António, tive uma ideia. E se em vez de irmos vender o prédio da 5 de Outubro o transformássemos numa residência universitária? Que melhor destino pode ter um edifício que há décadas acolhe o Ministério da Educação do que proporcionar a oportunidade de 600 estudantes por ano prosseguirem a sua educação?”

O prédio da 5 de Outubro terá capacidade para 600 camas, devendo as rendas na futura residência rondar os 200 euros. Este será o resultado da “ideia fora da caixa” do ministro da Educação que, no entanto, “se encaixa perfeitamente naquilo que têm de ser as nossas prioridades”, disse António Costa.

Memórias antigas

O primeiro-ministro aproveitou ainda para homenagear “todos os que trabalharam” no antigo edifício da 5 de Outubro e também “todos os que ali se manifestaram”. António Costa fez questão de lembrar que também fez parte deste último grupo. “A primeira vez que estive aqui foi em 1974, deveria ter uns 14 anos. Era ministro de Educação um capitão de Abril, Vítor Alves, e eu vinha numa manifestação porque a escola onde estava [uma secção da Francisco Arruda onde funcionou a primeira experiência de ensino artístico integrado do país] tinha sido expulsa do edifício do Conservatório Nacional e estávamos à procura de novas instalações”, contou.

Tiago Brandão Rodrigues também fez questão de afirmar que já esteve “muitas vezes do lado de lá” da porta do antigo ministério, embora não tenha especificado em que manifestações participou. Ainda nesta maré, António Costa disse o seguinte dirigindo-se aos participantes na cerimónia, sem também especificar a quem se estava a referir: “A nossa geração foi um pouco mais feliz do que as vossas, porque nós começávamos a manifestação lá fora, mas nunca deixámos de ser recebidos cá dentro.”

O edifício da Avenida 5 de Outubro está actualmente vazio, depois de o Ministério da Educação (ME) se ter mudado para a beira-rio em Fevereiro do ano passado. Na altura da mudança para a Avenida Infante Santo, o ministério informou que o prédio da 5 de Outubro apresentava “diversas patologias infra-estruturais que colocam em risco a segurança de pessoas e bens no espaço público adjacente” e que “por esse motivo teve início uma intervenção de consolidação das fachadas”.

A antiga sede do ME também conta com vários revestimentos em amianto. Tanto a sua remoção, como as obras de consolidação das fachadas que não se chegaram a iniciar, farão parte do pacote de reconversão do edifício, a cargo do projectista João Appleton, indicou o ministério ao PÚBLICO. O início das obras está aprazado para o final do ano.

Na cerimónia de entrega do prédio da 5 de Outubro, Tiago Brandão Rodrigues classificou-o como um “edifício emblemático” que “pretéritos inquilinos disseram ser melhor implodir, mas que os inquilinos actuais entenderam dever ser entregue aos estudantes, por ser um verdadeiro epicentro do sistema educativo”.

A reconversão deste edifício será feito feita no âmbito do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, que vai chegar a 42 concelhos e prevê que, nos próximos quatro anos, sejam disponibilizadas mais 11.500 camas para estudantes das universidades e dos institutos politécnicos que estejam deslocados de casa, lembrou  o secretário de Estado do Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira.