Tancos: Marcelo quer fim do processo para breve

Na comissão parlamentar de inquérito, a 26 de Março, o director da Polícias Judiciária anunciou conclusão das investigações para Junho ou Julho.

,João V de Portugal
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Presidente na cerimónia do Bazar Diplomático LUSA/Jose Sena Goulao;José Sena Goulão

O Presidente da República salientou esta sexta-feira que “é importante” apurar o que se passou em Tancos, considerando “um pouco excessivo” a legislatura terminar “sem se saber o que se passou dois anos antes”.

“O que é importante é o seguinte (...): dois anos volvidos sobre o começo de uma investigação criminal, que começou praticamente em cima dos factos, queremos saber o que se passou. Nós, portugueses, queremos saber o que se passou”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

Falando à margem da cerimónia de entrega dos donativos do Bazar Diplomático, em Lisboa, o Presidente da República afirmou que é preciso “saber exactamente o que se passou, e tudo o que seja fazer julgamentos prévios é errado”.

“Por isso é que eu, quando fui a Tancos, disse [que] temos de ir até ao fundo de tudo, saber o que se passou”, notou, declarando que “tudo o resto são realidades laterais”. Marcelo acrescentou que a sua “preocupação como Presidente da República foi sempre insistir, insistir, insistir, insistir, mesmo quando parecia morto o assunto, para que se chegasse a uma conclusão”.

“Mas não podemos, nomeadamente, terminar uma legislatura sem se saber o que se passou dois anos antes, isto é, a meio da legislatura, é assim um pouco excessivo”, salientou. Perante a insistência dos jornalistas, o Presidente salientou que os portugueses querem “uma conclusão”.

“Conclusão quer dizer conclusão da investigação criminal, qualquer que ela seja. E esperamos que chegue antes de dois anos decorridos sobre aquilo que todos nós recordamos que se passou em Tancos”, reforçou. “Eu, convictamente, acho que vamos saber, que não vai ficar sem resposta, e a resposta efectiva é o resultado da investigação criminal”, salientou o Presidente.

Perante a comissão de inquérito, em 26 de Março, o director da PJ já tinha avançado uma data para a conclusão. “Em Junho ou Julho”, disse Luís Neves, espero ter “a investigação numa fase praticamente final.” Aquele responsável, explicou que “era impossível nesta investigação, face ao número de arguidos, face ao número de material para analisar, face a tudo o que aconteceu, conduzir esta investigação apenas em seis meses.” Recorda-se que o processo de Tancos conta com 20 arguidos, dos quais nove estão em prisão preventiva e um em prisão domiciliária. 

Questionado também sobre uma conversa que o ex-director da Política Judiciária Militar (PJM) diz ter mantido com o chefe de Estado em Tancos, Marcelo Rebelo de Sousa apontou que “já disse exactamente o que tinha a dizer” sobre isso. “Sobre esta matéria, o que eu tinha a dizer foi dito, e foi dito ao longo do tempo, está dito”, disse, acrescentando que não se irá pronunciar mais sobre esta matéria.

Luís Vieira tinha afirmado na quarta-feira, na comissão parlamentar de inquérito a Tancos, que em 4 de Julho (um dia após o despacho da ex-procuradora Geral da República Joana Marques Vidal determinar a direcção do inquérito para a PJ) os dois tinham conversado em Tancos, e que o Presidente da República se teria disponibilizado a falar com Joana Marques Vidal.

Já na quinta-feira, o Presidente explicou que não chegou a falar com o ex-director da PJM em Tancos. “No fim da visita, o senhor ministro da Defesa chamou para perto de mim o senhor, então, director da Polícia Judiciária Militar, e disse “olhe, eu gostava de falar consigo"”, contou o chefe de Estado, acrescentando que “nunca aconteceu isso, até hoje”.

Também o ex-chefe de gabinete do antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes foi questionado na comissão sobre o teor desta conversa. “Que houve a ideia que podia ter sido alguma acção no sentido da sensibilização, talvez; não ficou uma definição de tarefas”, respondeu Martins Pereira aos deputados. 

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