Opinião

O papel dos cidadãos em tempos de crise na imprensa

Nestes tempos sombrios da manipulação informativa e das fake news, quando a democracia se mostra vulnerável ao avanço dos extremismos, à demagogia e ao populismo, a imprensa faz mais falta do que nunca.

Os leitores das edições online de muitos jornais portugueses e estrangeiros habituaram-se a encontrar no final dos textos alertas sobre a importância da imprensa livre na defesa da democracia. Junto a esses alertas, aparecem também apelos a que os leitores se empenhem na defesa e no robustecimento da imprensa através de donativos ou por via da assinatura digital dos jornais. O PÚBLICO juntou-se a esse alertas e promoveu os mesmos apelos porque, como a generalidade da imprensa das sociedades democráticas, vive hoje um paradoxo: nunca as suas notícias ou reportagens foram tão lidas como o são hoje, sem que esse serviço público seja capaz de gerar receitas suficientes para garantir a sua sustentabilidade financeira. Quando se fala da crise da imprensa, é disso que se fala: de uma crise no modelo de negócio na era da internet.

Nestes tempos sombrios da manipulação informativa e das fake news, quando a democracia se mostra vulnerável ao avanço dos extremismos, à demagogia e ao populismo, a imprensa faz mais falta do que nunca. É por isso que, por cá, se ouviram apelos do Presidente da República sobre os perigos em aberto com a crise da imprensa. É por isso que partidos com assento parlamentar avançaram com propostas para debelar os seus dilemas financeiros. É por isso que, em países como a França ou o Canadá, os governos lançam fundos de apoio às receitas aos seus jornais.

Os avisos sobre esses perigos são, na nossa opinião, úteis, mas não subscrevemos a ideia de uma imprensa dependente das ajudas do Estado. Acreditamos sim que um jornalismo livre e independente, com recursos e competências para escrutinar os poderes e prestar o serviço público que se lhe exige, deve depender dos laços que estabelecer com os seus leitores – com a sociedade à qual o jornalismo tem de prestar contas. É por isso que lançámos por estes dias novas regras de acesso à nossa edição online, prestando uma vénia aos 14 mil leitores que nos assinam e incentivando as muitas centenas de milhares que o procuram a seguir os mesmos passos.

Queremos aumentar o nosso número de leitores, seja na edição impressa, seja na online, como tem vindo a acontecer no último ano. Mas queremos ir mais longe, criando condições para que o nervo da nossa redacção se torne ainda mais longo e mais tenso. Queremos prestar-lhe, e ao país, um melhor serviço. Por isso apelamos à sua responsabilidade e ao seu sentido cívico. Nas sociedades livres, as decisões individuais contam. A defesa do jornalismo do PÚBLICO, plural, livre, cosmopolita e defensor dos valores da democracia liberal está nas suas mãos.