CIM Douro classifica como “escandalosa” redução dos comboios turísticos

Municípios pedem reuniões urgentes à CP e ao Ministério das Infraestruturas para tentar inverter a decisão da transportadora.

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O comboio histórico vai fazer, este ano, metade das viagens NFACTOS / FERNANDO VELUDO

A Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro) classificou hoje como “escandaloso” o fim do comboio turístico “Miradouro” e a diminuição das viagens do comboio histórico e pediu reuniões urgentes à CP e Ministério das Infraestruturas. A CIM Douro, liderada pelo presidente da Câmara de Sernancelhe, Carlos Santiago, e que agrega 19 municípios, considerou, em comunicado, como “escandalosa” e “falta de respeito” a decisão “tomada unilateralmente” pela CP - Comboios de Portugal de diminuir a oferta turística na linha ferroviária que atravessa a região.

A CP anunciou que o comboio histórico a vapor regressa à Linha do Douro entre 1 de Junho e até 26 de Outubro, no entanto informou que este ano as viagens se vão realizar apenas aos sábados e no feriado de 15 de Agosto, num total de 23, o que equivale a cerca de metade das do ano passado. Recentemente, a CP confirmou também o fim do comboio turístico “Miradouro", que tinha sido criado há dois anos e que a empresa decidiu não manter em 2019.

A comunidade intermunicipal anunciou que vai “exigir reuniões urgentes” à CP e ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, e frisou que “não aceita o fim do comboio “Miradouro” e não aprova a diminuição do número de viagens do comboio histórico no Douro, medidas que trarão graves prejuízos à região, aos operadores turísticos, às empresas e às gentes do Douro”.

A CIM classificou como “infundados” os argumentos da CP de “falta de rentabilidade da linha” e “desajustamento” dos comboios turísticos ao Douro, porque esta região “tem registado aumentos extraordinários na procura turística, decorrentes dos 4,3 milhões de turistas que anualmente visitam o Norte de Portugal e que têm no comboio “Miradouro” e no comboio histórico opções de transporte para conhecerem o Douro”.

Os autarcas durienses disseram ainda não compreender “que uma decisão destas seja anunciada pela CP e suportada pelo Governo, em contraciclo com a realidade turística do Norte de Portugal”. E lembraram que a companhia aérea Emirates anunciou que a partir de 02 de Julho vai fazer a ligação entre o Porto e Dubai quatro vezes por semana, “trazendo novos turistas ao Norte e novas oportunidades para o Douro dar a conhecer os seus argumentos enquanto Património Mundial da UNESCO”. “O comboio era uma extraordinária oportunidade para fazerem esta incursão pelo território”, sustentaram.

A CIM Douro lamentou “que, mais uma vez, o interior tenha de lutar pela continuidade de serviços essenciais à sua economia e à economia do país”. “A lógica do custo é sempre tida em conta no interior, ao invés do que sucede no litoral, onde os prejuízos são sempre compensados com o orçamento de Estado”, frisou a comunidade intermunicipal.

Por essa razão, considerou que “não é admissível que a CP, ou qualquer outra empresa que prossegue o fim público, promova retrocessos turísticos e económicos, cause prejuízos à promoção deste destino turístico, reduza ofertas aos turistas ou interfira na estratégia de uma região que representa mais de 200 mil habitantes, tem sido um exemplo no combate à sazonalidade turística em Portugal, é um dos maiores promotores do país no mundo, e é um destino de turismo de excelência, com qualidades reconhecidas internacionalmente”.

O comboio histórico do Douro é composto por uma locomotiva a vapor e cinco carruagens históricas de madeira datadas do início do século XX, que parte da estação de Peso da Régua, para no Pinhão e segue até ao Tua. Nas edições anteriores, a CP realizava também viagens aos domingos. A CP justificou a redução do número de viagens do comboio histórico com a diminuição da procura que se verificou em 2018, ano em que viajaram no comboio histórico 6190 clientes, quando em 2017 esse número foi de 10.100 clientes. Segundo a empresa, as receitas obtidas foram da ordem de 375.700 euros em 2017 e 234.100 euros em 2018.

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