Governo anuncia investimento na saúde, PSD e CDS apontam “inconseguimentos”

Ministra ouviu críticas à esquerda e à direita sobre o estado da saúde em Portugal.

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Isabel Galriça Neto, deputada do PSD Miguel Manso

Foi com a acusação repetida de “falha” que o CDS-PP iniciou ontem a interpelação ao Governo sobre política de saúde. A ministra Marta Temido contrapôs com números de reforço de pessoal e aproveitou para explicar aos deputados o programa de investimento, no valor de 90 milhões, aprovado horas antes no Conselho de Ministros.

A deputada do CDS-PP Isabel Galriça Neto começou por apontar as falhas do “Governo e das esquerdas unidas” ao impor o “garrote das finanças” aos serviços públicos. E não cumpriu também quando falhou “a tão propagada promessa de dar um médico de família a todos os portugueses” nem quando deixou “engrossar as listas de espera nos cuidados continuados e acumula dívidas por pagar no sector”.

Por isso, a deputada concluiu: “Este é um Governo que é mais um desgoverno, um Governo de promessas e inconseguimentos”. A palavra haveria de ser retomada já no encerramento pela ministra da Saúde – para sublinhar o “inconseguimento” do debate – e ao mesmo tempo voltar a referir os números.

“Depois de 4 anos de cortes na saúde, este Governo tem recuperado e protegido o SNS. Trouxemos mais financiamento, mais recursos humanos, mais 9 mil profissionais, mais consultas em cuidados primários e consultas, mais cirurgias”, disse a ministra. Marta Temido adiantou que o programa de investimento vai servir, por exemplo, para remodelar a urgência do centro hospitalar de Tondela-Viseu e para equipar com aceleradores lineares o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e o Centro Hospitalar Barreiro/Montijo.

Em defesa do Governo, o socialista António Sales acusou o CDS de “frenesim demagógico” e explicou que o partido de Assunção Cristas se virou para a saúde porque “perdeu o combate do desemprego, do défice e da economia”.

O líder da bancada comunista, João Oliveira, reconheceu que o Governo fez um “esforço para tirar o SNS do buraco” em que PSD e CDS o colocaram, mas interrogou a ministra sobre o investimento nesta área. Pelo BE, Moisés Ferreira não deixou de criticar o anterior Governo e tentou provocar o CDS ao apelar a que aprove a lei de bases de saúde, mas não gerou qualquer resposta. 

O estado da saúde “é pouco recomendável”, reconheceu o ecologista José Luís Ferreira, numa crítica que seria retomada pelo social-democrata José Matos Rosa. “O ministério da Saúde é o ministério da doença”, disse o deputado, rematando em jeito de conclusão: “Ninguém de boa-fé considera que o SNS está melhor do que há quatro anos”.