Um renovado Pavilhão com novas valências e a mesma mensagem: “Poupem água”

Depois de ter fechado para obras em 2016, Pavilhão da Água reabre ampliado e com novas experiências.

Foto
Ministro Matos Fernandes e Rui Moreira testaram novas experiências do renovado Pavilhão da Água Inês Fernandes

Quando foi desenhado para habitar a Expo 98, em Lisboa, o Pavilhão da Água tinha planos de uma vida efémera. Mas a viagem para Norte, pensada para uma duração de apenas três meses, acabaria por se prolongar. Em Novembro de 2016, as portas do espaço fecharam-se para obras numa altura em que o pavilhão acabara de atingir a maioridade. Este sábado (10h-17h30), reabre ao público, ampliado e com novas experiências, mas a mesma mensagem de sempre: “Poupem água”, pediu o Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, convidado pela Câmara do Porto para inaugurar o espaço no Dia Mundial da Água.

A visita guiada foi feita por Filipa Fernandes, coordenadora da educação ambiental na Águas do Porto. E a visita ao pavilhão – renovado com projecto do arquitecto da ideia original, Alexandre Burmester, e um investimento de 745 mil euros – revelou-se uma viagem sempre interactiva, com experiências que são permanente aprendizagem para miúdos e também graúdos.

Num recipiente cheio de areia, a passagem das mãos por cima faz chover e desafia os visitantes a construir a sua própria cidade e montanhas. Há reservatórios à espera de serem cheios, para mostrar o que significa poupar água. Um redemoinho a formar-se, depois um tornado, a seguir ondas. Acompanhada por Rui Moreira e boa parte do seu executivo, Matos Fernandes e Manuel Pizarro, a coordenadora ia explicando as experiências. Nas estruturas e paredes, era possível ir testando conhecimentos. Sabem para que serve uma barragem de retenção? Sabem que no Porto se consomem cerca de 550 litros de água a cada segundo? E que um tornado pode atingir os 400 quilómetros por hora? Qual o ciclo urbano da água?

PÚBLICO -
Inês Fernandes
PÚBLICO -
Inês Fernandes
PÚBLICO -
Inês Fernandes
PÚBLICO -
Inês Fernandes
PÚBLICO -
Inês Fernandes
Fotogaleria
Inês Fernandes

No pavilhão - que durante os mais de dois anos de obras continuou o seu trabalho educativo nas escolas e vai continuar a fazê-lo uma vez por semana -, há um convite a ser “cientista por um dia”, fazem-se programas especiais de férias infantis, até festas de aniversário. No final, na chegada à “sala imersiva”, onde se viaja pela montanha descendo até ao mar, a consciência da importância da água e dos efeitos extremos das alterações climáticas no mundo, e no Porto em particular, deverá estar passada. “Saem daqui com uma enorme mensagem de sensibilização”, comentou, satisfeita, Filipa Fernandes.

Ameaças à economia são todas ambientais

Se na conhecida “graçola” do pessimista e o do optimista o mundo se divide em duas visões – entre um copo meio cheio e outro meio vazio -, Matos Fernandes prefere analisar a coisa por uma terceira via: “O que todos nós temos de saber dizer é que o copo tem o dobro do tamanho que é necessário.” O Ministro do Ambiente falava minutos depois da sua visita ao pavilhão situado no Parque da Cidade e usava a ideia para sublinhar a exemplar “noção de suficiência” conseguida no espaço. “Os sistemas naturais têm de facto esta espantosa virtude a que chamo a racionalidade da suficiência. Nunca têm nada a mais, nunca tem nada a menos”, disse, pedindo a quem constrói cidade e economia para que entendam esse equilíbrio.

Rui Moreira deixou o protagonismo do momento para o ministro natural do Porto, limitando-se a nomear aquele pavilhão como um “equipamento muito importante para a cidade”, para ser usufruído pela “comunidade escolar”, mas também pelos portuenses em geral. “A água é um bem escasso”, aproveitou para repetir o socialista Matos Fernandes, lembrando que não é o território que tem de se adaptar às populações mas sim o contrário.

“Não vai haver mais água e por isso temos mesmo de a poupar e de a usar de forma racional.” Se a palavra de um ministro não chegar, disse, recorde-se o que se disse em Davos: “As três maiores ameaças à economia são todas ambientais: as consequências das alterações do clima, a escassez de matérias primas, daí a necessidade da economia circular, e a escassez de água.”

Foi também por isso que foi lançado um desafio às 50 maiores ETAR do país: até 2025 deverão reutilizar 10% do seu esgoto tratado, até 2030 devem chegar aos 20%. E a acção, disse, tem de ser feita com ou sem seca. “A mensagem tem de ser sempre a de poupar água. E só podemos actuar do lado da oferta. Não se fabrica água. Podemos potenciar a circularidade do seu uso, mas não a criamos.”