Governo espanhol anuncia trasladação do corpo de Franco para 10 de Junho

Sepultura do antigo ditador ficará num panteão familiar num cemitério perto de Madrid - se o Supremo não decidir cancelar o processo.

Foto
O Vale dos Caídos EPA

O Governo espanhol, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, anunciou nesta sexta-feira a exumação do ditador Francisco Franco do monumento Vale dos Caídos para um panteão familiar no cemitério de El Pardo, nos arredores de Madrid.

“A exumação dos restos mortais de Franco vai acontecer a 10 de Junho de manhã e irá para o panteão de Mingorrubio”, no cemitério de El Pardo, onde está já a esposa de Franco, Carmen Polo, confirmou Carmen Calvo, vice-primeira-ministra, em declarações aos jornalistas. Não irá para o cemitério de Almudena, onde já está a filha de Franco, e para onde a família queria que fosse o corpo.

A mudança do local da sepultura de Franco é uma das medidas mais simbólicas que o executivo de Pedro Sánchez quis levar a cabo.

Mas há uma possibilidade de não se concretizar: ainda corre no Supremo uma tentativa da família para impedir judicialmente que o Governo retire a sepultura de Franco do Vale dos Caídos. 

E também não é claro que o Governo não mude nas eleições de 28 de Abril, já que apesar de a trasladação ter sido aprovada pelo Parlamento, o Partido Popular (PP, de direita) não é a favor. Pablo Casado, o líder do partido, cujo avô foi preso durante o franquismo, declarou sobre a questão que nunca irá “defender esse monumento [o Vale dos Caídos] nem os que estão lá dentro”, mas “Espanha tem de olhar para o futuro”.

O Vale dos Caídos foi um projecto do próprio Franco, um memorial erguido entre 1940 e 1958 para homenagear os nacionalistas mortos durante a Guerra Civil (1936-39).

No complexo, a 40 km de Madrid, estão sepultados 33.872 combatentes e também Franco e o fundador da Falange (o movimento fascista legalmente reconhecido durante a ditadura de Franco), Primo de Rivera.

A família Franco sugeriu antes que o corpo fosse levado para a catedral de Almudena numa cerimónia com honras militares, o que o Governo recusou (trata-se de um dos edifícios mais visitados da capital, sede da Arquidiocese da Igreja Católica de Madrid e local de funerais de Estado), dando um prazo de 15 dias à família para escolher outro lugar.

O prazo foi rejeitado pela família, que diz que só aceita sugerir outra localização se o Supremo não aceitar o seu recurso.

O Governo, que quer evitar que a sepultura de Franco se torne num local de “exaltação” do franquismo, invoca a Lei da Memória Histórica aprovada no Parlamento já em 2007, e também a votação para aprovar a exumação em Setembro do ano passado, e argumenta com um parecer do Conselho Jurídico do Estado segundo o qual a família não se pode opor à decisão porque se trata de uma sepultura pública, por um lado, e por outro, do cumprimento de uma resolução legal.

Correcção: a data anunciada é 10 de Junho e não 10 de Julho