Senadores republicanos fazem frente a Trump, que vai vetar rejeição da declaração de emergência

Doze senadores do Partido Republicano juntaram-se aos adversários democratas para aprovar uma resolução a revogar a declaração de emergência de Trump para a fronteira com o México. Presidente já anunciou que irá contornar a medida com um veto.

Foto
Reuters/Jim Young

O Presidente norte-americano Donald Trump anunciou esta quinta-feira que irá vetar uma resolução do Congresso que revoga a declaração de emergência na fronteira entre Estados Unidos e México proclamada pelo chefe de Estado — que, por sua vez, contornava o Congresso e garantia a disponibilização de verbas para a construção do muro, principal promessa de campanha do republicano.

Nesta quinta-feira, doze senadores republicanos juntaram-se aos democratas e reuniram 59 votos para aprovar no Senado a resolução proveniente da Câmara dos Representantes, numa raro momento de rebeldia contra Trump. Entre os rebeldes estiveram Mitt Romney, Marco Rubio, Susan Collins, Lisa Murkowski e Rand Paul, que entendem que a declaração de emergência representa um abuso dos poderes presidenciais. 

Logo após a decisão do Senado, o Presidente escreveu um tweet com a palavra “VETO!”. Mais tarde, acrescentou também no Twitter que “espera ansiosamente” por vetar “a resolução inspirada pelos democratas que abre fronteiras enquanto aumenta o crime e o tráfico de drogas" no país.

O Congresso precisa agora de uma maioria de dois terços nas duas câmaras para anular o veto presidencial, uma hipótese considerada improvável.

Em Fevereiro, Donald Trump declarou o estado de emergência na fronteira entre os EUA e o México para financiar a construção do muro prometido durante a sua campanha eleitoral. No entanto, a declaração de Trump tem sido discutida e contestada nos tribunais, e questões práticas e legais como a expropriação de terrenos ao longo da fronteira também contribuem para que a construção do muro esteja ainda distante.

A proposta de financiamento avançada por Donald Trump esta segunda-feira e rejeitada por ambas as câmaras do Congresso é um ponto de partida para as discussões sobre o Orçamento para 2020, em torno do qual democratas e republicanos têm de chegar a acordo até 30 de Setembro. Se não for aprovado até a 1 de Outubro, no arranque do novo ano fiscal no país, é possível que as agências e departamentos públicos voltem a fechar por falta de verbas.

Passaram poucas semanas desde a mais longa paralisação de agências e departamentos públicos nos EUA, que deixou pelo menos 800 mil trabalhadores sem salário durante mais de um mês. A secretaria do orçamento do congresso norte-americano divulgou que o maior encerramento parcial do governo dos Estados Unidos teve um prejuízo a ultrapassar os 11 mil milhões de dólares (nove mil milhões de euros). O shutdown de 35 dias nos EUA custou mais do que aquilo que o Presidente Donald Trump pedia inicialmente para construir um muro na fronteira com o México: 5,7 mil milhões de dólares (4,9 mil milhões de euros).