Hipocampo é a lua mais pequena de Neptuno

Um grupo de cientistas dos Estados Unidos publica esta quinta-feira um artigo científico onde resume tudo o que se sabe sobre a última lua de Neptuno a ser descoberta.

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O planeta Neptuno e a sua pequena lua Hipocampo numa impressão artística ESA/Hubble/NASA/ L. Calçada
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Imagem de Neptuno tirada quando a sonda Voyager 2 passou pelo planeta em 1989 NASA

A lua mais pequena de Neptuno já tem um nome aprovado pela União Astronómica Internacional: Hipocampo, nome de uma criatura da mitologia grega. Tudo o que se sabe sobre este satélite natural – o 14.º e o mais recente a ser descoberto – está reunido num artigo científico publicado esta quinta-feira na revista Nature

Em 1989, quando a sonda Voyager 2 passou por Neptuno encontrou seis pequenas luas interiores e visitou Tritão (a maior lua de Neptuno). Contudo, não detectou a Hipocampo. A descoberta deste pequeno satélite natural só foi possível graças a imagens do telescópio espacial Hubble usadas para se estudar os anéis e luas de Neptuno.

Em 2013 – quando foi anunciada a sua descoberta e atribuído o nome de S/2004 N 1 –, a Hipocampo tornou-se a 14.ª lua de Neptuno e a sétima lua interna do planeta a ser detectada. Este satélite tem um diâmetro de 34 quilómetros e órbita perto de Proteu, a maior e mais periférica das luas interiores de Neptuno.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflecte”, descreve ao PÚBLICO Mark Showalter, do Instituto SETI (na Califórnia). “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas.”

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Comparação dos tamanhos das luas internas de Neptuno Mark R. Showalter/Instituto SETI

Além disso, como é muito pequena e orbita perto de Proteu, pensa-se que a Hipocampo seja uma parte de Proteu que se desprendeu deste satélite natural quando um grande cometa colidiu com ele. “Não podemos descartar a possibilidade de que a Hipocampo se formou no local onde se encontra e que não tenha uma ligação com Proteu”, lê-se no artigo. “Contudo, o seu tamanho e localização peculiar levam-nos a privilegiar o cenário de formação proposto em que as colisões e a migração orbital tiveram um papel na modelação do sistema de Neptuno como o vemos hoje.”

E poderemos saber mais sobre a Hipocampo nos próximos tempos? Mark Showalter responde que este satélite é tão pequeno que não aprenderemos muito mais sobre ele só através de telescópios na Terra. “Qualquer dia, a NASA ou talvez a Agência Espacial Europeia enviarão uma sonda a Neptuno e assim saberemos algo mais sobre esta lua.”