Mariano Rajoy, ex-chefe do Governo espanhol, testemunha a 26 de Fevereiro sobre a Catalunha

O ex-presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont, que fugiu do país, é o grande ausente neste processo.

Mariano Rajoy
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Mariano Rajoy BALLESTEROS/EPA

O Tribunal Supremo espanhol notificou nesta terça-feira o ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy para testemunhar no julgamento do processo independentista catalão em 26 de Fevereiro.

Mariano Rajoy (Partido Popular, direita) era chefe do Governo quando decidiu, em 27 de Outubro de 2017, intervir directamente na administração da Catalunha, demitindo o executivo regional dirigido por Carles Puigdemont.

Também a 26 de Fevereiro devem testemunhar, entre outros, o ex-presidente do Governo regional catalão Artur Mas e o actual presidente do parlamento catalão, Roger Torrent.

No dia seguinte, serão ouvidos a ex-número dois de Rajoy, Soraya Saénz de Santamaría, e os antigos ministros  Cristóbal Montoro e Juan Ignacio Zoido.

O julgamento dos 12 dirigentes independentistas catalães iniciou-se na terça-feira da semana passada e deverá demorar três meses, com a sentença a ser conhecida antes das férias de Verão, segundo a previsão feita pelo tribunal.

O julgamento está a ser transmitido em directo pela televisão e a ser seguido por mais de 600 jornalistas e 150 meios de comunicação social espanhóis e estrangeiros.

O Ministério Público pediu penas que vão até 25 anos de prisão contra os acusados, por delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência.

Os réus pretendem aproveitar o julgamento e a visibilidade que lhes é dada para promover a causa independentista, considerando que o processo é um “embuste” e que o Estado espanhol está a julgar “presos políticos” e não "políticos presos".

O principal acusado no julgamento dos independentistas catalães, o ex-vice-presidente do governo regional Oriol Junqueras, disse na semana passada em tribunal que se considera um “prisioneiro político” que está a ser julgado pelas suas ideias.

“Neste momento considero-me um prisioneiro político” e estou a ser “acusado pelas minhas ideias e não pelos meus actos”, disse Junqueras, acrescentando que se considera “independentista, democrata e Republicano”.

No banco dos réus estão também vários ex-membros do antigo executivo regional, a antiga presidente do Parlamento catalão e os dirigentes de duas poderosas associações cívicas

A figura principal da tentativa de independência, o ex-presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont, que fugiu do país, é o grande ausente neste processo, visto que Espanha não julga pessoas à revelia em delitos com este grau de gravidade.

Após realizar a 1 de Outubro de 2017 um referendo sobre a independência proibido pela justiça, os separatistas catalães proclamaram a 27 de Outubro do mesmo ano uma República catalã independente, decisão que levou o executivo de Rajoy a destituir Carles Puigdemont e a dissolver o parlamento regional.