Crónica de jogo

Ir a Roma e continuar a ver os “quartos”

Bis de Zaniolo acaba com invencibilidade portista, frustração que Adrián López suavizou com um golo que mantém a eliminatória da Champions em aberto.

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LUSA/ETTORE FERRARI

O FC Porto perdeu pela primeira vez na presente edição da Liga dos Campeões. Uma derrota dolorosa diante da Roma (2-1), nos oitavos-de-final, mas que não compromete as aspirações na prova, apesar do fardo emocional que representa por ter quebrado a longa invencibilidade dos campeões portugueses. O Estádio Olímpico e a cidade eterna passam a marcar negativamente as memórias portistas, depois de um desfecho precipitado pelo bis do jovem Zaniolo e pela lesão de Brahimi, mas que, apesar de tudo, mantém viva a esperança numa reacção já no dia 6 de Março, no Estádio do Dragão, graças ao golo do suplente Adrián López.

Os portistas, campeões da fase de grupos — na qual somaram 16 pontos e foram a única equipa invicta —, não perdiam desde o clássico com o Benfica no Estádio da Luz, em Outubro, e elevaram para três os desafios consecutivos sem vencer. Uma realidade que Sérgio Conceição tentou contornar com uma estratégia em que reservou uma surpresa, promovendo a estreia absoluta de Fernando Andrade na Liga dos Campeões. O brasileiro juntou-se a Soares num ataque que dependia muito da inspiração de Brahimi e Otávio, embora apenas o substituto de Corona tenha importunado verdadeiramente o bloco romano.

Referenciado como um dos mais imprevisíveis, o argelino não teve liberdade para se expressar, acabando, invariavelmente, por exagerar nas iniciativas individuais, condenadas ao insucesso e que foram aproveitadas pela Roma para ir consolidando o seu jogo de posse, sempre com Dzeko como farol e com El Shaarawy e Zaniolo a rondar, à espera da mais pequena brecha.

Depois de um início em que predominaram os duelos físicos, o FC Porto viu-se na contingência de ter que recuar, abalado por uma precipitação de Felipe aos 4’, numa perda de bola que poderia ter tido consequências desastrosas. A equipa tentou recompor-se, mas nem Danilo nem Herrera eram capazes de bloquear as triangulações dos italianos, que mesmo sem criarem oportunidades flagrantes iam apertando o cerco até ao estrondoso remate de Dzeko ao poste de Iker Casillas.

Um lance que traduzia bem a impotência dos “dragões” perante o espartilho em que a defesa se meteu, com Militão a juntar-se a Felipe e Pepe, enquanto Otávio surgia cada vez mais na pele de lateral, solidário nos momentos de sobressalto. Sérgio Conceição esperava um sinal de Fernando Andrade, mas nem o ex-Santa Clara nem Soares — finalmente a estrear-se nesta edição da prova — revelavam capacidade para desmontar a dupla Manolas/Fazio, com De Rossi sempre vigilante, o que conferia um efeito de metamorfose à equipa de Eusebio Di Francesco.

O intervalo chegava para alívio do FC Porto, que surgiria mais sereno no início da segunda parte. Alex Telles e Brahimi começavam finalmente a funcionar e a criar problemas à Roma. O FC Porto assumia uma postura mais ofensiva e por pouco não colhia os frutos na sequência de um canto em que Danilo cabeceou a centímetros do poste. E esse foi o canto do cisne de uma equipa que teve o infortúnio de perder precisamente Brahimi, por lesão, numa altura em que o argelino se transfigurava.

O golo da Roma chegava logo após a substituição do criativo, com Zaniolo a bater Casillas, que entretanto coleccionara um par de defesas relevantes. A jovem promessa da Roma justificava os elogios com um bis no espaço de sete minutos (após remate de Dzeko ao poste), tornando-se, aos 19 anos, no mais jovem de sempre da Roma a bisar na Europa.

Sob a ameaça de desmoronamento, o FC Porto, num assomo de coragem, aproveitava a euforia romana para reduzir por Adrián López, que rendera Brahimi, estancando uma hemorragia que ameaçava comprometer as ambições portistas. O golo do espanhol, o segundo na Champions, mudava o rumo dos acontecimentos e o FC Porto ia em busca, a todo o custo, do golo necessário para evitar a primeira derrota ao quinto duelo com a Roma. Herrera esteve perto de o conseguir, mas a noite culminou com uma derrota tangencial, a viabilizar a qualificação.