Novos términos de autocarros no Porto geram insatisfação entre os passageiros

Valpi, Empresa de Transportes Gondomarense (ETG), A.E. Martins e Pacense já estão a cumprir o definido por Rui Moreira. Mas os tempos de espera por outro autocarro e as trocas de transporte geram um clima de descontentamento nos habitantes da Área Metropolitana do Porto.

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Rui Moreira decidiu mudar os términos de vários autocarros por causa das obras no Mercado do Bolhão Inês Fernandes

Ao quarto dia, os novos términos dos autocarros das operadoras privadas Valpi, Empresa de Transportes Gondomarense (ETG), A.E. Martins e Pacense estão a ser cumpridos, depois do bate pé das empresas e apesar do descontentamento entre os passageiros dos transportes. Já depois das 10h30 desta sexta-feira, mais um autocarro número 69 da ETG pára na Rua do Bonfim, junto ao Campo 24 de Agosto. De lá sai Isaura Correia, habitual frequentadora do Mercado do Bolhão, que vê os seus “horários afectados” com a mudança de percursos instalada esta semana. Tal como Rui Moreira decidiu, as carreiras intermunicipais das empresas privadas terminam o percurso junto ao Estádio do Dragão, mas as linhas 55, 69, 70 e 27 (esta de forma parcial) podem, excepcionalmente, chegar ao Campo 24 de Agosto. O “problema” é que quem pretender ir até ao centro da cidade é obrigado a esperar pelos autocarros da STCP, como é o caso de Isaura. “Não acho isto nada bem. Ao tempo que estou aqui à espera do 801 para chegar à Cordoaria”, comentava.

Os tempos de espera e as trocas de transporte conduzem a uma insatisfação geral dos habitantes da Área Metropolitana do Porto. Manuel Cardoso, 76 anos, sublinha o “tempo desperdiçado” nas mudanças. “Eu apanho o 70 da ETG até à Rua do Bonfim e depois vou de metro até ao Bolhão”. É que, “por acaso”, Manuel sabe andar de metro. “Mas há muita gente que não sabe e isso é muito chato”, afirma.

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Cidadãos estão insatisfeitos com as mudanças Inês Fernandes

A verdade é que “esta mudança é mais difícil para as pessoas mais idosas”, diz Joaquim Dias, motorista da Gondomarense. “Apesar de as pessoas se estarem a habituar”, conta, “os passageiros mais velhos têm muita dificuldade porque não sabem andar de metro” – a solução “mais rápida” para chegar ao centro da cidade do Porto. “Eles dizem-me mesmo: 'não me entendo com aquilo!'” Até agora, o condutor do autocarro da linha 70 fazia diariamente o percurso com partida em Ermesinde e término no Bolhão. Mas após a comunicação da Área Metropolitana do Porto (AMP) às empresas privadas referidas, feita na passada quinta-feira, “e até ordem em contrário”, é obrigado a parar no Campo 24 de Agosto.

A referida orientação da AMP chegou às empresas dois dias depois da data definida por Rui Moreira para as alterações impostas pela CMP entrarem em acção: 5 de Fevereiro. Até então, os autocarros da Valpi e da Gondomarense continuavam a passar no centro da cidade. Dessa decisão resultou um anúncio “inesperado” de Moreira: “A gestão, o planeamento e a fiscalização da rede de transportes que operam no concelho do Porto vão regressar à esfera municipal”. Assim, a AMP perdeu todas as competências nos transportes no município portuense – uma decisão “compreensível” para o presidente da AMP, por ser a única forma do autarca portuense levar a cabo a fiscalização do cumprimento das suas decisões. Masalgo que pode ser “reversível”, acredita Eduardo Vítor Rodrigues.

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Junto ao Dragão, reina a normalidade Inês Fernandes

Tal como previsto pelo presidente da AMP, as empresas Valpi e Gondomarense estão de facto a cumprir as imposições de Moreira e a terminar o percurso junto ao estádio do Dragão. Mas esta mudança tem-se revelado penalizadora para as empresas privadas. É que “há menos passageiros do que o habitual”, relataram ao PÚBLICO, esta sexta-feira, os motoristas das empresas estacionados nas paragens junto ao Dragão. Quem pode, dizem, opta pelas linhas que estão autorizadas a passar pelo centro da cidade do Porto – maioritariamente as da STCP – ou, pelo menos, “o mais perto possível”, como é o caso das quatro excepções concedidas por Moreira.

Marco Martins referiu, na passada quinta-feira, que esta mudança dos términos dos autocarros significa, na prática, um “quase fim dos transportes intermunicipais”. É, diz o coordenador da área dos transportes da Área Metropolitana, “uma regressão de décadas naquilo que é a mobilidade e o conforto das populações”.