Portugueses não querem sair da Venezuela, querem fim do impasse político, diz MNE

Augusto Santos Silva afirma não ter nenhuma informação de que a segurança e o bem-estar da comunidade portuguesa na Venezuela esteja em perigo.

Augusto Santos Silva
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Augusto Santos Silva daniel rocha

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, vincou nesta quinta-feira que "não há nenhum problema com a comunidade portuguesa" na Venezuela e que os portugueses residentes no país não querem sair, mas sim o fim do "impasse político".

"Não há nenhum problema com a comunidade portuguesa e não tenho nenhuma informação relativa que me possa dizer que a segurança e o bem-estar da comunidade portuguesa na Venezuela esteja em perigo", declarou o governante, falando aos jornalistas em Bucareste, na Roménia, à entrada para uma reunião informal com outros homólogos da União Europeia (UE).

Recordando que, no início da semana, houve assaltos a estabelecimentos portugueses na Venezuela, "mas sem nenhuma sequência", e que existe um lusodescendente ferido, Augusto Santos Silva notou que, "fora isto, não há nenhum problema", pelo que "a questão que agora se põe não é ajudar os portugueses a sair da Venezuela".

"Os portugueses, como a imensa maioria dos cidadãos que vivem na Venezuela, não querem sair de lá, querem é sair deste impasse político", acrescentou.

Já lembrando o ultimato europeu ao Governo do Presidente Nicolás Maduro para a realização de eleições livres na Venezuela, para o qual foi estipulado um prazo de oito dias que termina no fim-de-semana, o governante disse esperar que a reunião que hoje arranca em Bucareste e que termina na sexta-feira sirva para definir os passos seguintes por parte da UE, caso o apelo não tenha sucesso.

Haverá "o reconhecimento [da nova liderança], certamente, e depois consequências do ponto de vista político e diplomático", referiu.

Entretanto, o Parlamento Europeu reconheceu Juan Guaidó como o "Presidente interino legítimo" da Venezuela e exortou a UE e os seus Estados-membros a assumirem uma posição semelhante, enquanto não for possível convocar eleições presidenciais.

Em reacção, Santos Silva defendeu o respeito pelo prazo dado. "Na minha opinião, temos de ser credíveis e, portanto, nós dissemos que havia um prazo de alguns dias para que o Presidente Nicolás Maduro pudesse associar-se a este processo e, portanto, esperaremos que esse tempo decorra", assinalou.

Já falando sobre o anúncio feito nesta quinta-feira pelo Uruguai e pelo México relativo à realização de uma conferência internacional, em 7 de Fevereiro em Montevideu, reunindo os países e organizações que têm uma "posição neutral" sobre a crise na Venezuela, o responsável disse que, neste momento, "não é possível ser neutro sobre a Venezuela".

Isto porque "não há outra solução se não iniciar um processo de transição pacífica, com eleições livres, sob a autoridade da Assembleia Nacional", apontou.

Ainda assim, o governante português realçou que, "evidentemente, que se o Presidente Maduro se quiser associar a este processo, como ele tem o controlo do aparelho estatal venezuelano, isso seria uma garantia suplementar para a natureza pacífica da transição".

"É muito importante ter noção que este é um processo político [...] que procura evitar duas coisas que ninguém na UE quer: qualquer intervenção externa na Venezuela e qualquer risco de confrontação interna", adiantou Santos Silva.

A crise política na Venezuela agravou-se com a autoproclamarão de Juan Guaidó, na semana passada.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou luso-descendentes.