Crocodilos mudam de casa para que turistas possam ir de hidroavião até à maior estátua do mundo

Dez equipas de oficiais indianos estão a transportar crocodilos das lagoas junto à Estátua da Unidade para uma barragem próxima. O objectivo é "limpar" a zona para evitar acidentes e construir uma pista de hidroaviões.

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A estátua foi inaugurada no dia 31 de Outubro de 2018 Amit Dave / Reuters

A Índia está a retirar crocodilos de uma reserva junto à Estátua da Unidade, a maior estátua do mundo e a realocá-los a cerca de quatro quilómetros de distância, na barragem de Sardar Sarovar, no estado de Gujarat, o mesmo onde se localiza a Estátua da Unidade. 

Os crocodilos, o maior deles com cerca de três metros, estão a ser atraídos com peixe e a ser transportados em jaulas de metal, para que se possa instalar no rio um serviço de hidroavião, que pode permitir trazer mais turistas para a região que ganhou popularidade com a construção da estátua. O objectivo passa também por "limpar" a zona para se diminua o risco de acidentes com a espécie. 

Até esta terça-feira, diz o Indian Express, tinham sido retirados apenas 15 animais, mas estima-se que sejam cerca de 500 os crocodilos que vivem nas duas lagoas adjacentes ao rio. O crocodilo-persa (Crocodylus palustris) é protegido pelo Programa de Protecção da Vida Selvagem — que inclui espécies em vias de extinção. 

K. Sasi Kumar, representante do Departamento da Floresta, afirmou que "estão a ser resgatados crocodilos das duas lagoas mais próximas do local por dez equipas de oficiais do exército". Durante uma semana, os répteis ficaram sob a guarda do Departamento da Floresta, altura em que se ponderou se deveriam ser libertados no seu habitat natural.

Questionado sobre a decisão dos crocodilos serem transportados para a barragem de Sardar Sarovar, um funcionário da barragem afirmou que o Departamento da Floresta já libertou crocodilos no reservatório, mas "como este exercício envolve centenas de crocodilos pode não ser possível fazê-lo de uma só vez. Terão de ser distribuídos por outros locais".

Muitas foram as vozes que criticaram a mudança. Jitendra Gavali, director do Centro de Ciências Comunitárias da cidade de Vadodara, afirmou que a transferência vai "contra os princípios da Lei de Protecção da Vida Selvagem". Gavali avisa que a espécie pode vir a ser prejudicada e que as autoridades não podem ter certeza do número de crocodilos que habitam as lagoas.

"Libertá-los no reservatório significaria que as fêmeas podem não ser capazes de aninhar e sair da água se a barragem for muito inclinada. Se o governo gastou milhões de rupias para fazer a Estátua da Unidade, podia gastar um pouco mais para criar uma lagoa artificial onde os hidroaviões poderiam aterrar sem perturbar o equilíbrio ecológico e o habitat natural dos crocodilos", disse o director ao Indian Express.

Outro dos críticos da transferência foi Bittu Sahgal, editor da revista Sanctuary Asia, uma publicação dedicada à vida selvagem e notícias ambientais. No Twitter, o editor questionava se "perdemos todos a cabeça" para que esta realocação estivesse a acontecer. 

A estátua foi inaugurada em Outubro pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e homenageia Sadar Vallabhbhai Patel, antigo vice-primeiro-ministro da Índia.

Narendra Modi afirmou que a estrutura de 182 metros (o dobro do tamanho da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque) dá “resposta a todas as questões existenciais da Índia”. A figura de bronze de Patel, que tem um jardim e um museu na sua base, terá custado cerca de 355 milhões de euros e esteve em construção durante quatro anos.