Jorge Ferreira de Vasconcelos lembrado na Sociedade de Geografia

Quando se cumprem 500 anos da sua Comedia Aulegrafia, Jorge Ferreira de Vasconcelos é lembrado esta sexta-feira na Sociedade de Geografia, em Lisboa. Conferencista: Silvina Pereira.

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Silvina Pereira em 2015, por altura da conferência e exposição do V Centenário DR

Desde que ouviu falar dele pela primeira vez, e foi há quase meio século, já o estudou, encenou e explicou. Agora, na Sociedade de Geografia, em Lisboa, Silvina Pereira apresenta Mundo, Corte e Cavalaria em Jorge Ferreira de Vasconcelos, uma conferência promovida pela Secção Luís de Camões. Esta sexta-feira, no Auditório Adriano Moreira, às 15h.

Para Silvina Pereira, investigadora e directora artística do Teatro Maizum, a vida e obra de Jorge Ferreira de Vasconcelos é uma paixão antiga. Mas foi uma pergunta formulada um dia por um jornalista que a levou a investir a fundo no tema, fazendo dele a sua tese de doutoramento. O que pretendia o jornalista, quando abordou Silvina no Teatro D. Maria II? Falar, não com a encenadora, mas com o autor, Jorge Ferreira de Vasconcelos, ignorando que ele estava morto há quase meio milénio. Isso fê-la decidir-se a ir mais fundo. E se conhecera a obra de Jorge Ferreira de Vasconcelos (1515/1524?-1585) graças a uma conversa com Vasco Graça Moura em 1994 (lendo depois a Comedia Eufrosina e achando “que aquilo era um diamante”), depressa se meteu a estudar a sua vida e obra, tornando-se nela especialista e, de algum modo, sua paladina e defensora.

Comedia Aulegrafia ainda por encenar

No Teatro Maizum, encenou primeiro a Comedia Eufrosina (logo em 1995), e depois a Comedia Ulysippo (em 1997). Não conseguiu, por insuficiência de apoios, levar à cena a Comedia Aulegrafia, terceira que estava nos seus planos. Mas já fez uma leitura encenada com excertos da Comedia Aulegrafia (de 1519), que curiosamente faz agora 500 anos.

A paixão com que se entregou ao estudo deste comediógrafo seiscentista, deu-lhe, além do doutoramento, motivos para incentivar as comemorações do V centenário de Jorge Ferreira de Vasconcelos, celebrado em 2015 com um colóquio internacional, em Maio desse ano, na Fundação Gulbenkian, e uma exposição na Biblioteca Nacional, em Lisboa, sobre a importância da sua obra, intitulada Jorge Ferreira de Vasconcelos – Um Homem do Renascimento Português, com a edição do respectivo catálogo e uma conferência.

Por altura do V centenário, disse Silvina Pereira ao PÚBLICO: “Os clássicos têm o seu grau de dificuldade e a obra de Vasconcelos é uma obra erudita, mas entroncada numa sabedoria popular.” E essa parte, afirmava, só se torna mais visível quando é posta em cena. “Estávamos a ver os nossos avós, a nossa história, as nossas angústias, no palco”.